UNIVERSO DAS COISINHAS

31.7.06

O RETORNO


Jor-El, o popular Joel, angustiado por não saber trocar fraldas, mandou o "bebê Johnson" pro espaço e este foi parar na porta de Tia May, que rechaçou: "A vaga de super-herói que ganha a vida trabalhando na imprensa já foi preenchida, meu filho. La-vra".
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Acordo às 4h30 da madruga do domingo e chego à conclusão de que, sim, eu gostei de Caché. Algumas horas antes, estava na dúvida do que realmente tinha achado do badalado filme de Michael Haneke, acho que pelo fato dele ficar meio maçante da metade pro final, por não ter superado as expectativas criadas pelas chamativas resenhas e, claro, pela assinatura do "homem que fez Funny Games". Essa inicial decepção até me gerou a vontade de encarar, como uma espécie de vingança e birra, o cinemão em curso, mais precisamente Superman - O Retorno, o qual não estava investindo muita fé e dinheiro. E não é que é bom?! Pra começar um mico, derramo algumas lágrimas saudosistas logo nos créditos iniciais (que homenageiam a primeira versão dos anos 1970) - convenhamos, fora isso, ainda tem o tema clássico de John Williams. Fortes emoções. Depois, a fala de Jor-El (Marlon Brando!). Mas não foi somente por esses "luxos" que aprovei a investida: Superman - O Retorno, que alguns podem considerar desnecessário, como o remake de A Profecia e O Poseidon, é honesto, bem dirigido e, a priori, apresenta à nova geração o Super-Herói à moda antiga. O filme tem tudo para uma boa sessão de "Multiplex": ritmo, aventura, efeitos especiais e... boas atuações (isso inclui os novatos Brandon Routh, rosto desenhado à mão, cara e jeito de bom moço, encorpado, à altura de Cristopher Reeve, e a "nova Lois Lane", que projeta seriedade, estilo, inteligência e charme, bem ao contrário da atriz anterior, aquela que era a cara de Courtney "Monica" Cox, além de Kevin Space, que empresta a Lex Luthor a vilania e a cafajestada, perfeitas na performance de Gene Hackman). Brian Singer acertou ao não inserir "músicas de gravadoras" como aconteceu com a trilha do Homem-Aranha, com hits de novas bandas, e optou pelo tom elegante dos temas instrumentais. Três defeitos de Superman - O Retorno: poderia ter 23 minutos a menos, o plano maligno de Lex Luthor não é plausível, ninguém acredita nele, muito menos na possibilidade de uma remota vitória sobre o Homem de Aço, o que acaba não gerando a tensão essencial a esse tipo de produção. Resumindo, esqueceram de incrementar o núcleo do mal.
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Voltando a Caché. O filme tem, pelos menos, duas grandes cenas, a de abertura e a do final. E a pergunta que não quer calar: Pierre era o "urso"? Por falar nisso, vou assistir ainda a Irmão Urso, pra ver se tira o gosto insosso de A Marcha dos Pinguins (esse povo que votou nesse filme como melhor documentário - categoria bem questionável - nunca assistiu a uma produção do Discovery Chanel ou matéria do Globo Repórter, não?!).
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P.S.: Essa minha farra cinematográfica, que incluiu os três títulos supracitados, deve-se ao fato de eu ter sido libertada, a contra-gosto, da reclusão a qual sofri nas últimas semanas por causa de Lost! A segunda temporada (piratosa) acabou, e a série só volta, a conta-gotas, em setembro, depois pára, e retorna em outubro. E que venha Rodrigo Santoro...