UNIVERSO DAS COISINHAS

11.7.06


CAZÍ! CAZÍ! - Enquanto isso, na série B do Campeonato Brasileiro: "Velho (posso te chamar de velho?), a gente tá precisando de um cabeça-dura como você, que sabe cabecear como ninguém".
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Por mais incrível que isso possa parecer, houve uma época em que eu joguei basquete. Menor do que os 1,60 m de hoje, a pirralha fazia parte da equipe "basqueteira" do colégio, isso entre a 5ª e a 7ª série. Num desses anos, teve um campeonato entre escolas públicas e particulares e um dos jogos foi naquele colégio que fica na Praça do Entroncamento (esqueci o nome). E lá fomos as suburbanas competir com as "urbanas" (?). Eu estava marcando uma menina (menina é modo de dizer), que era duas vezes o meu tamanho, isso em altura e largura. A mala passou o jogo inteiro me esculhambando com os mais nobres palavrões lançados até então. Eu não conseguia formar nenhuma palavra ou frase em reação, só continuava a marcar o trambolho, e rezando para não levar um provável murro na cara. Quando a partida terminou, dei graças a Deus por ter saído viva e quase fiz uma promessa pra nunca mais encarar um peso pesado daquele. Mas o que hoje, talvez, me enchesse de orgulho nesse prosaico episódio teria sido mesmo um bofete bem dado naquela bendita. *** Dizem que Zidane estava chorando e lamentando nos bastidores a cabeçada no Materazzi. Mas creio que o macho dentro do careca teria se remoído muito mais se não tivesse revidado a agressão verbal do italiano. No domingo, eu era Itália desde criancinha. No entanto, a provocação do Materazii foi de uma baixeza atroz que apagou boa parte do brilho de uma vitória honrada. Enquanto isso, o mundo inteiro caiu em cima da "tourada" do craque da França, sem colocar na balança que futebol é um esporte violento. O corpo-a-corpo, o esforço físico, aliado ao estresse da pressão por um bom resultado, são testes cruéis para a natureza humana. Portanto, esperar reações zen-budistas talvez seja pedir demais para alguém, mesmo um veterano, e também até uma espécie de cinismo por parte da mídia, que preza bastante a audiência que alcança quando o circo pega fogo. Não adianta exigir ponderação, porque o ser humano vai atender, primeiro, ao instinto animal, já que tudo ali em volta depende de sua força, da superação de seu corpo contra o do outro. Se em qualquer pelada acontecem os mais diversos bate-bocas e safanões, reforce a isso o fato de ser uma final de Copa do Mundo. Falaram que o gesto de Zidane ofuscou sua aposentadoria apoteótica. Conversa fiada! Em termos teatrais, o personagem Zizi (!) "despediu-se" com uma presença cênica impressionante. Levar o inesperado cartão vermelho, sair arrasado, vaiado e cabisbaixo do estádio completamente lotado, cercado por câmeras de todo o planeta, foi a melhor saída de cena que ele poderia ter tido, e que qualquer cineasta pagaria para ter orquestrado. Zidane teve sua despedida memorável. Se não foi aplaudido por aqueles milhões de turistas bem-nascidos, isso é o mínimo diante do seu feito e currículo. Esse pequeno momento da final vai entrar pra história de forma muito mais marcante que uma saraivada de palmas já esperadas e ensaiadas. E, no futuro, Materazzi, o mala provocador, vai ser lembrado como o "jogador que levou a cabeçada de Zidane, naquela copa em que o Brasil era o favorito". Este, sim, saiu humilhado. CPI da CBF já!
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P.S.: Os nerds não perdem tempo e já criaram o jogo "Cabeçada do Zizou".