UNIVERSO DAS COISINHAS

19.7.06


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Apesar de todos os projetos sociais dos governos que entram e saem, quem puder raciocinar um pouquinho sobre o tema "pobreza" chegará rapidamente à conclusão de que não tem projeto social que dê conta de tanta gente no mundo, que dê conta da alta taxa de natalidade do país, ou mais precisamente, dos países pobres. Este é um assunto que me atinge principal e diretamente agora, já que me encontro com um bucho que não é de chope. Os governantes, ou candidatos a, não gostam de discutir a azeda questão, pois entrariam nesse mói princípios religiosos, morais e blábláblá. Mas, mais do que isso, o que me intriga, pelo menos nos últimos meses, é como a população conseguiu e consegue crescer tanto, como o ser humano se multiplicou e se multiplica tanto, se para isso é preciso que haja mulheres dispostas a engravidar, ou melhor, a estarem em estado de gravidez. Digo isso porque, apesar de não ter tido o tradicional e indigesto enjôo das gestantes que, sozinho, já seria motivo suficiente para ninguém querer engravidar, começou em mim, com toda força, nas últimas semanas, uma sessão mija-mija, que não é brincadeira. É você estar no melhor do sono, sono profundo, sonhando, quando irrompe uma desagradável sensação de urgência na sua bexiga, que está sendo pressionada pelo peso do útero e pelos pontapés vindos de alguém que está ao lado dela. E, pior, você é inocente, não tomou a cachaça do mundo e nem bebeu um balde d'água para ter que encarar o processo de abrir os olhos, descobrir-se do lençol, tatear os chinelos, arrastar-se até o banheiro, levantar a tampa da bacia, sentar-se no troninho e ouvir a queda de um xixi que não encheria uma xícara de café de escritório. Isso, no mínimo, duas vezes por madrugada (sem contar que na volta à cama, muitas vezes você encontra a insônia deitada no seu travesseiro). Esse enfadonho despertar dos zumbis já seria razão o bastante para a população mundial estar reduzida à metade, na melhor das hipóteses. Mas o que acontece? O que bexiga (para não fugir do tema) se passa na cabeça das pessoas que tiveram dois, três, quatro filhos, como a minha mãe? Sem contar que essa sessão mija-mija é só a ponta de um lindo iceberg que se aproxima lentamente.
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P.S.: Ao comentar este assunto com um casal de amigos: a namorada disse que quando chegasse a sua vez de "embuchar" iria usar fralda geriátrica, pra poder dormir sossegada enquanto estiver fazendo xixi. Ele: "Tu acha que eu iria conseguir tirar essa cena da cabeça, tu de fralda geriátrica?! Comigo não!"