UNIVERSO DAS COISINHAS

15.6.06

NÓS TIVEMOS UMA OPÇÃO


Kaká, "Lindo, tesão, bonito e gostosão" ou "You're beautiful, you're beautiful, you're beautiful..."
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Alguém pode fazer um favor pra mim, ou melhor, pra humanidade, e matar o cara que canta essa música You’re Beautiful? Quando a gente vai se recuperando da lavagem cerebral proporcionada por coisas com Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai (O Melô do HR) ou Eu não sei parar de te olhar, nos aparece esse Geraldinho Azevedo (pela voz de arara e pelo conteúdo – “eu digo e ela não acredita, ela é bonita...”) com o refrão mais irritante do ano, que eu não quero nem mais repetir aqui.
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Pode testar: numa rápida pesquisa com seus amigos, parentes e conhecidos, você vai chegar à conclusão de que (quase) ninguém está satisfeito com o trabalho: nem com o que faz nem com o ambiente muito menos com o salário. Acho que, neste momento, entre os brasileiros, só existe uma minoria muito satisfeita com o emprego que tem: a seleção e a equipe técnica.
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"Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção? Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho é a Seleção?". É nessas horas que Raul Seixas faz muita falta.
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Por que em toda Copa a Seleção Brasileira sempre é essa mesma novela? Aliás, Copa deixou de ser copa. O troféu há tempos abandonou o formato de copo para o formato de globo.
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Quando, afinal, Ronaldinho vai parar com esse stage fright?
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Zagagá-llo tá se achando só porque “previu” que o craque da seleção seria Kaká, o bom-moço, bom vizinho, bom marido, bom pai, bom filho, bom espírito santo. Até meu filho, da minha barriga, já tinha sacado isso.
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Por falar nele, o meu filho, a barriga tá grande e eu não posso fazer uma das duas coisas que há de melhor em assistir aos jogos da Seleção: beber. A outra, ainda posso: falar palavrão.
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Diogo Monteiro, mais conhecido como Siri, aconselhou, por volta do quarto episódio: "Você ainda tem uma opção". Mas Yellow (e eu) não quis ouvir e agora estamos viciados em Lost. A coisa tá tão séria que, na semana passada, quando terminou um episódio em um momento decisivo, eu disse, "bota o outro logo". Aí Yellow: "acabaram os episódios que eu gravei" (a gente tava vendo no computador). Ligo pra SMS: "Tem Lost aí?". Depois de saber que a locadora tinha disponível a série, lembro de outra saída bem mais rápida. "Liga pra Bosco agora!". Isso por volta das 21h. - "Bosco, é uma emergência. Tu tem a primeira temporada de Lost? (a gente tava no capítulo que o doido da selva vai pegar a grávida e o drogado)". Yellow pega a bicicleta e parte rumo à casa do vizinho que mora do outro lado da Caxangá. Na volta, no elevador, uma moradora do prédio diz pra ele, "acabei de ser assaltada" - Yellow tinha passado no mesmo local há dois minutos. Recife é um Lost que não tem fim.
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Tudo bem, eu sei que Lost é uma mistura de Perdidos no Espaço e Twin Peaks com Big Brother Brasil (a forma como os personagens aparecem, a "edição" semelhante a desses programas de TV), e que qualquer pergunta, qual é o seu nome?, por exemplo, nunca é respondida e vira motivo para mais um suspense, mas esse é o segredo do seriado.
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Três semanas antes de embarcar neste vício, encontro, na supracitada SMS, com um leitor deste blog, a quem vou chamar de Rodrigo Carreiro para não revelar sua verdadeira identidade. Entre a conversa, que envolvia cinema, filhos e afazeres domésticos, o amigo conta, sem vergonha alguma, que, durante esta segunda temporada, deixa o computador baixando o episódio da noite anterior, e de manhã, antes de sair pro trabalho, assiste ao episódio downloadado. Isso porque não consegue esperar para quando voltar. Há duas semanas atrás, achei exagero. Como diria Siri, nós tivemos uma opção.