UNIVERSO DAS COISINHAS

30.6.06

ISSO É UM IMBECIL!!!


Essa risadagem vai acabar! Revanche vem do francês.
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Sorria! A Argentina vai voltar mais cedo pra casa.
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Agora pouco, me juntei a uns 15 transeuntes que pararam de frente a uma pequena TV de uma barraquinha de ponto de ônibus pra ver os pênaltis no jogo dos nossos vizinhos contra os alemães. E a comemoração do resultado, que incluiu fogos de artifícios por todo o Cordeiro (que ainda estou ouvindo), só não está sendo maior porque não foi o Brasil quem despachou os hermanos abusados.
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Quando o Fatnômeno deu o fora em Lula não estava dando um fora no Seu Zé da Esquina, era o Presidente da República, ora bexiga! A fama e o dinheiro, associada à esculhambação da política é tamanha, que um jogador de futebol se acha no direito "de tirar uma onda" com a cara da pessoa, a priori, mais importante da Nação. Comentando isso com Yellow, este fez uma análise óbvia, evidente, mas que ninguém, nem a imprensa, havia elaborado. Numa simples abordagem sócio-psicológica, explica-se que o salário do jogador, trilhões de vezes maior do que o do presidente, talvez tenha permitido a Ronaldo o passe para renovar aquela pergunta "Você sabe com quem estava falando?" para "Você sabe que quem está falando ganha muito mais do que você?". Tirando todo o complexo da questão, que envolve também as denúncias de corrupção no governo e no PT, aproveito pra lançar esse mesmo raciocínio yellowniano sobre o "caso Parreira". O técnico é o cara que menos ganha entre os protagonistas da Seleção. Então isso poderia explicar a teimosia em manter criaturas que não somente não estão rendendo, como estão atrapalhando e muito, como Cafu.
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E, por falar neste, lembro de um episódio que aconteceu em 1998, quando, trabalhando num caderno de esporte local, fui escalada pra entrevistar o jogador, que encontrava-se de férias num hotel chiquérrimo daqui, durante a ressaca da Copa da França. Chego lá, espero um tempo até falar com o capitão. Inicialmente, seria uma entrevista exclusiva, na qual eu não poderia tocar no assunto "a amarelada de Ronaldo" (claro que eu toquei). Antes disso, no caminho até o hotel, vou conversando com o motorista sobre o mundial recém-acabado. Aí, o fotógrafo, que estava no banco de trás, dizia, "não vi jogo nenhum, não sei nem de quem vocês estão falando". E eu, descrente: "Que conversa, Fulano!". Esse fotógrafo tem a maior cara de Tiozão da Torcida, daqueles que enfartam até vendo treino de time. Pois bem, chegando ao hotel, nos avisam que Cafu estava na praia. Fomos lá. Da areia, ao lado de Regina ("Te amo, Reginaaa!!!"), avisto três jet-skis no mar. Num deles, estava o craque. Aproveito e sugiro ao tal fotógrafo, "Tira uma foto de Cafu no jet-ski". Aí, o cidadão ajeita a máquina, a lente, vai se aproximando da beira do mar no momento em que os três pilotos dos jet skis estão parando a brincadeira e voltando pra praia. Uma pequena multidão observava a estrela do futebol. O fotógrafo, então, aponta a câmera pra seu alvo, mas, de repente, olha pra trás e pergunta, em volume bem alto, pra mim: "Débora, quem é Cafu?!" Eu, sem saber onde enfiar a cara, respondo: "É o do meio!!!" Parecia mentira, mas ele realmente não tinha visto nenhum dos jogos da Seleção, não conhecia os jogadores, não gostava de futebol, apesar da cara de Tiozão da Torcida, e, muito menos, sabia quem era Cafu. Enfim, era uma pessoa feliz. Aproveito o momento e pergunto: Quem é Parreira?! Segundo meu sogro, aos gritos, "Isso é um imbecil!!!
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P.S.: Aproveito e peço ao Barreira, pra botar logo no começo da partida deste sábado, o melhor jogador da França na atualidade, o nosso eterno rubro-negro.

15.6.06

NÓS TIVEMOS UMA OPÇÃO


Kaká, "Lindo, tesão, bonito e gostosão" ou "You're beautiful, you're beautiful, you're beautiful..."
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Alguém pode fazer um favor pra mim, ou melhor, pra humanidade, e matar o cara que canta essa música You’re Beautiful? Quando a gente vai se recuperando da lavagem cerebral proporcionada por coisas com Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai (O Melô do HR) ou Eu não sei parar de te olhar, nos aparece esse Geraldinho Azevedo (pela voz de arara e pelo conteúdo – “eu digo e ela não acredita, ela é bonita...”) com o refrão mais irritante do ano, que eu não quero nem mais repetir aqui.
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Pode testar: numa rápida pesquisa com seus amigos, parentes e conhecidos, você vai chegar à conclusão de que (quase) ninguém está satisfeito com o trabalho: nem com o que faz nem com o ambiente muito menos com o salário. Acho que, neste momento, entre os brasileiros, só existe uma minoria muito satisfeita com o emprego que tem: a seleção e a equipe técnica.
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"Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção? Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho é a Seleção?". É nessas horas que Raul Seixas faz muita falta.
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Por que em toda Copa a Seleção Brasileira sempre é essa mesma novela? Aliás, Copa deixou de ser copa. O troféu há tempos abandonou o formato de copo para o formato de globo.
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Quando, afinal, Ronaldinho vai parar com esse stage fright?
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Zagagá-llo tá se achando só porque “previu” que o craque da seleção seria Kaká, o bom-moço, bom vizinho, bom marido, bom pai, bom filho, bom espírito santo. Até meu filho, da minha barriga, já tinha sacado isso.
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Por falar nele, o meu filho, a barriga tá grande e eu não posso fazer uma das duas coisas que há de melhor em assistir aos jogos da Seleção: beber. A outra, ainda posso: falar palavrão.
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Diogo Monteiro, mais conhecido como Siri, aconselhou, por volta do quarto episódio: "Você ainda tem uma opção". Mas Yellow (e eu) não quis ouvir e agora estamos viciados em Lost. A coisa tá tão séria que, na semana passada, quando terminou um episódio em um momento decisivo, eu disse, "bota o outro logo". Aí Yellow: "acabaram os episódios que eu gravei" (a gente tava vendo no computador). Ligo pra SMS: "Tem Lost aí?". Depois de saber que a locadora tinha disponível a série, lembro de outra saída bem mais rápida. "Liga pra Bosco agora!". Isso por volta das 21h. - "Bosco, é uma emergência. Tu tem a primeira temporada de Lost? (a gente tava no capítulo que o doido da selva vai pegar a grávida e o drogado)". Yellow pega a bicicleta e parte rumo à casa do vizinho que mora do outro lado da Caxangá. Na volta, no elevador, uma moradora do prédio diz pra ele, "acabei de ser assaltada" - Yellow tinha passado no mesmo local há dois minutos. Recife é um Lost que não tem fim.
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Tudo bem, eu sei que Lost é uma mistura de Perdidos no Espaço e Twin Peaks com Big Brother Brasil (a forma como os personagens aparecem, a "edição" semelhante a desses programas de TV), e que qualquer pergunta, qual é o seu nome?, por exemplo, nunca é respondida e vira motivo para mais um suspense, mas esse é o segredo do seriado.
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Três semanas antes de embarcar neste vício, encontro, na supracitada SMS, com um leitor deste blog, a quem vou chamar de Rodrigo Carreiro para não revelar sua verdadeira identidade. Entre a conversa, que envolvia cinema, filhos e afazeres domésticos, o amigo conta, sem vergonha alguma, que, durante esta segunda temporada, deixa o computador baixando o episódio da noite anterior, e de manhã, antes de sair pro trabalho, assiste ao episódio downloadado. Isso porque não consegue esperar para quando voltar. Há duas semanas atrás, achei exagero. Como diria Siri, nós tivemos uma opção.

1.6.06

I SEE DEAD DOGS


Bergman, pelo conjunto da obra, ganha comovente homenagem no Recife.
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Segunda-feira, fui almoçar com um amigo. No meio da refeição, ele questiona: “Você não foi mais lá em casa por causa de Bergman, né?” Eu: “Nã-ã-ã-o”, com vergonha de dizer que sim e contar toda a verdade e que começa com a frase: “Esse povo que tem cachorro é muito sem noção”. Há oito meses, esse amigo cria o cão que leva o nome do autor de Fanny e Alexander, Morangos Silvestres e Persona. Mas ao contrário do cineasta cool, o animal vive com o diabo no couro. É daquele tipo que se avista uma visita na sala, endoida, corre, pula, se joga, dá cambalhotas, lambe, late, se esfrega, deita, rola e não se finge de morto. Ingmar Bergman é lindo, não o véio, o cão. Mas não tenho paciência para essas lambidas e essas demonstrações de afeto canino, ainda mais quando se sabe que um carinho desses pode custar uma conta caríssima na farmácia (toda semana, o Diario aborda uma doença transmitida por cachorro. Na última edição, falou-se em leptospirose, sim, a doença do rato). E o pior é que o dono do bicho acha tudo lindo. Esse abuso dessas pequenas criaturas possivelmente ganhou corpo na minha infância, depois que levei uma carreira de dois furiosos bulldogs e só escapei porque consegui chegar a tempo no portão de casa e subi-lo até ficar sentada no muro, me refazendo do provável enfarte aos oito anos de idade. Só mais tarde, vim descobrir que um “Valei-me, São Roque” pode nos afastar de uma mordida dessas feras. E, por falar em raiva: na terça-feira, levei mais um susto, o quinto, com o cachorro de uma vizinha. Toda vez que passo na rua, esse nojento quase me mata dos "nelvos". E é sempre quando estou distraída. Dessa última vez, veio correndo e latindo forte, parecendo que ia pular o pequeno portão e avançar sobre mim e minha barriga (...). E eu nem estava com o guarda-chuva para poder travar uma luta com o bicho. Não entendo como uma pessoa cria um animal só para poder dar sustos nos transeuntes. Agora mesmo, passei pela rua transversal à minha e estava um dálmata na frente da casa, sem o dono e sem a coleira, só observando o movimento, como aquelas velhinhas de cidade do interior. Assim, sem noção à altura dessas pessoas, só mesmo Rodrigo, o dono do estúdio de ensaio. A primeira vez que fui lá quase desmaio. Simplesmente, o cãozinho dele, um pit-bull veio recepcionar os clientes, dando um pequeno salto sobre nós. Felizmente a única marca que conseguia deixar era as das patas sujas. Rodrigo só parou com essa brincadeira, que terminava com a frase “É uma pit-bull, mas é dócil”, quando eu disse, meio que na brincadeira, que ele poderia ser processado e ter que pagar uma fortuna à uma vítima da cachorra. Depois disso, a cadela passou a ficar boa parte do tempo presa. No último sábado, na Rua do Príncipe, lá vai o rapaz, cabelos loiros soltos ao vento, andando inclinado pra trás na tentativa de conter a cachorra em sua caminhada hostil. Isso, sem a focinheira. Ainda na terça-feira, recebo uma ligação do amigo do início do texto. “Débora, cachorros vêem fenômenos sobrenaturais?”. - “Sim”, respondo com suposta autoridade. Depois dele explicar o acontecido, chegamos à conclusão de que, sim, o “Haley Joel Osment dos bichos” realmente estava vendo “algo”. Talvez, o cãozinho estivesse diante do espectro do avô falecido e por isso os latidos voltados para o vazio, que não o deixava ultrapassar o local onde fixava o olhar. Medo. O certo é que Bergman, com esse “momento Sexto Sentido ou Sétimo Selo”, parece agora fazer jus ao nome. Ah, esqueci de contar as histórias de Pluto, o animalzinho de estimação que, na calada da noite, entrou furtivamente e distribuiu bosta por toda sala do meu ex-apartamento. Ah, e também de Raio! Este residia em Campo Grande. Na lua cheia, quando o infeliz latia bem alto, isso próximo à janela do meu quarto, na antiga casa da minha mãe, só se escutavam os gritos insanos da dona: “CALA A BOCA, RAAAIO!!!”, e o cachorro, sem obedecer a ordem, “AUUUUUU”. Só faltava Zé Ramalho com “Mistérios da meia-noite...”