UNIVERSO DAS COISINHAS

23.3.06

AQUI NÃO! AQUI NÃO!


ESTÁ COM TUDO E NÃO ESTÁ PROSA - O bebê paulista Lucas Abelardo flagrado no instante em que se arrepende de colaborar com o treinamento de futuros pais no Recife.
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Como diria a música, “ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração do filho”. Seja lá o que isso signifique, nessas últimas semanas, em que este blog não foi atualizado, fiz a estréia no “padecer no paraíso”. Passei, pelo menos, seis dias, sentindo uma dor da bexiga no útero, que me impedia de realizar atividades simples, como, por exemplo, dormir. Não vou narrar a saga que envolveu médicos, remédios, aperreios e a ultrasom que revelou a pitoca do meu filho. A propósito, no exato momento em que me emocionava ao saber do sexo da criança, toca o celular. É o pai, começando ali uma pequena novela da vida cotidiana. Exulto: “É um menino!”, no que ele responde: “E Hugo?!”. Eu: “Que Hugo?!”. Ele: “Hugo é um ótimo nome!!!”. Bem, aqui abro um parêntesis. Por favor e por Deus. Você passa boa parte de sua vida, ou para muitos, a melhor parte dela, sob as ordens e gostos de seus pais, e quando finalmente chega a hora de “dar as cartas”, cai em tentação, dá vacilo e erra? Não, pelo menos, não com tanta facilidade. Respondo: “Não vou passar nove meses com um filho na barriga pra chamá-lo de Hugo! Hugo, não, Yellito! Aqui não!”. Dá para notar a minissérie que se inicia e que promete se estender nos próximos meses? Nunca pensei que pensar um nome para uma criança, sua criança, fosse algo tão difícil. Arranjar um nome pra bar é bem mais fácil: Recanto do Tota, Cantinho do Beto, Caldinho do Danda, Chambaril da Tia Jaci... Para tentar facilitar as coisas, o pai foi atrás de um dicionário virtual de nomes e descobriu o significado de Hugo (algo como “enviado de Deus”) e de mais uma dezena de outros, e todos giravam em torno do mesmo assunto: “predileto de Deus”, “filho de Deus”, “brother de Deus” e por aí seguia a lista. A batalha por este nome está apenas começando e já surgiram sugestões, que, desta vez, esbarram na maldição dos apelidos. Daniel, por exemplo, vão provavelmente chamar de Dani; Vinícius, de Vina ou Vinny (!!!) - dado ao apelido do pai, seria natural que as gracinhas não demorassem a brotar, e elas já desabrocharam (“Bota Red”, “Bota Blue”). Os curtos, tipo Ivan, Cid, Ivo, Igor, Rui, nem pensar! Muito menos esses que se encontram em toda esquina, como Diego, Diogo, Tiago, Ricardo, Paulo, Pedro. Nem os que são metidos a rico, a exemplo de João Pedro, João Henrique, Ricardo Alexandre... Nem entrar no revival dos nomes de véio (Sebastião, Francisco, Joaquim...) ou na onda “Lucas” ou “Luca” - tem uns três mil só no Recife, com menos de seis meses de idade. A vaga de Lucas já foi preenchida na família com meu sobrinho Lucas Abelardo (é, fizeram o favor de botar na pobre criança esse Abelardo que nos remete ao Velho Guerreiro). Pensei em Davi, a graça que sugeri à minha mãe para colocar no meu irmão Marinho (assim como Caetano lançou à Dona Canô o de Maria Bethânia, por causa da música de Capiba), e que, como se nota, não foi aceito. Yellow disse que Davi era nome de criança e que, um dia, essa criança iria crescer e não cairia bem para um homem atender por Davi. Bem, até agora o consenso está, mais ou menos, em torno de Astrogildo, brincadeirinha, em torno de Júlio, mas aí nós temos um problema, o filho do artista plástico. Nada que um profissional de Santo Amaro não possa resolver... Julian seria lindo! No entanto, seria abusar demais da boa vontade das pessoas. No último domingo, lá em casa, com uns amigos, surgiu esta do Julian e uma outra: Elvis!!! Elvis é espetacular, mas é algo como se chamar... Jesus. A criatura levará a cruz pelo resto da vida ou até ao cartório mais próximo. Bom, embora não seja Elvis ou Jesus, esse pirralho, seja lá qual for o nome dele, já é nosso reizinho (espaço para um sorriso).
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P.S: Hoje liguei pra médica com o fim de tirar uma dúvida, e comecei: “Aqui é Débora...”. Ela: “Débora, a gestante?”. Após alguns segundos, aceito, “É...”, meio hesitante, como se não fosse comigo. Aliás, voltando ao assunto dos nomes, escapei por pouco de ser nomeada como Sara ou Rebeca. Ufa. Valeu, Ednar e Manoel (in memorian)! - que nomezinhos, hein?