UNIVERSO DAS COISINHAS

14.2.06


Yellow me apresentou essa banda há nove meses, mas só agora resolvi escrever este post, por conta de (mais) uma audição na hora do almoço em minha NOVA CASA.
*
*
The Go! Team é esse povo aí com cara de indie que fez o disco essencial hoje em qualquer pista de dança. The Go! Team é sábado de manhã de sol, é céu azul, é jardim, é o pipoco do trovão (pegando carona no título do CD “Thunder, Lightning, Strike”, lançado em outubro do ano passado), é se preparar pruma festa à noite, é Burt Bacharach, James Brown, Stevie Wonder, Spice Girls, trilha sonora de Snoopy, Beastie Boys e a Torcida Jovem, é barulho, é Hey Ya!, é descarga de endorfina, é acabar subitamente com os problemas, é ser transportado pra um lugar onde todos são bons, bonitos, saudáveis, legais, amigos e tem novamente 17 anos. Ouça bem alto, por exemplo, a faixa Bottle Rocket, se possível em casa, sozinho, comece a dançar e encontre a felicidade num pedaço de música.
*
Agora é pra valer. Três meses depois de tanto suor e ranger de dentes, finalmente achamos um lugar que cumpre todos os itens que procurávamos: um apartamento maior que o anterior, barato (ou pelo menos, não tão caro), ventilado, bem localizado e com uma... varanda !!! Enfrentamos toda a sorte de aborrecimentos, incluindo bisbilhoteiros possíveis futuros vizinhos, corretores pegajosos, cozinhas com portas de saloon, salas quentes, quartos barulhentos, porteiros tarados, imobiliárias extremamente burocráticas, argh! Depois disso, veio a mudança, o estresse em si, que incluiu ainda senhoria no pé, procura de pintor bom e com preço “em conta”, ligações para empresas de transporte dos móveis, atendentes cafuçus, escalação de irmãos para ajudar no carregamento, etc. Para resumir, estamos mudados. Quando penso que minha mudança tinha sido um sufoco, encontro ontem com um amigo que me diz que foi se mudar há duas semanas e terminou no xadrez. O coitado pegou emprestada uma caminhonete de um colega para fazer a empreitada. No meio do caminho foi parado por uma blitz. Pediram documento e tal. Começaram a revistar o carro, encontrando nada mais, nada menos que um revólver (esse meu amigo não sabe nem atirar de badoque). “Cabra safado!” - a polícia começou desta forma a prisão, o algemou, levou pra delegacia, depois pro Cotel. Detalhe: o dono da caminhonete não tinha documento de porte de arma. Então, a pessoa que iria se mudar, amargou 36 horas no xadrez, onde ainda apanhou dos fardados, tirou aquela foto com o número embaixo do rosto e teve que pagar a presos pra ser bem tratado. Na cela, um dos detidos disse “aquele revolver não mata ninguém, com aquilo eu chamo garçom em bar”. Hoje, esse cidadão está com advogado tentando provar que estava apenas tentando fazer uma mudança.