UNIVERSO DAS COISINHAS

6.2.06

GEORGE NÃO ME OUVE


ALTO DO BRÔQUEBEQUE - Esse da direita não é Jake nem a pau!
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Finalmente após a terrível “temporada de férias” e com essa corrida ao Oscar, os cinemas começam a agendar os bons filmes. Alguns coincidem nos temas e no bafafá: homossexualismo, jornalismo e mundo caipira. Tem “Johnny e June”, cinebiografia de Johnny Cash que estréia nesta semana no Brasil, e “O Segredo de Brokeback Mountain (além de Heart of Gold, de Jonathan Demme, de O Silêncio dos Inocentes, sobre Neil Young, que estréia nos EUA na sexta). Brokeback, favorito ao Oscar de melhor filme, mais do que uma história que envolve gays é uma bela história de amor entre dois homens. Brokeback é muito bem dirigido até 1h30 de projeção, até que no minuto seguinte você começa a ficar cansado porque Ang Lee perde as rédeas e o filme parece se resolver por si só, o que apesar de não ser bom, pelo menos, não traz um resultado desastroso. "Boa Noite, Boa Sorte" é a produção que parece ter alçado George Clooney de vez à condição de “homem de respeito” em Hollywood – ainda é cedo para dizer, mas uma espécie de Clint Eastwood. Contando a saga real do jornalista Ed Murrow contra o ultra-conservador Joseph McCarthy, Clooney, mesmo com todos os confetes recebidos por este filme, não consegue ser criativo dentro das limitações das filmagens ambientadas em um estúdio de TV e dos registros dos discursos da época, ao contrário de Ang Lee que segura o espectador nos 50 minutos iniciais com apenas dois atores e um cenário, o campo (esse momento é uma obra-prima, como bem escreveu Rodrigo Carreiro). A dupla Jake “Donnie Darko” Gyllenhaal e Heath Ledger merece com ardor as indicações às estatuetas, principalmente este último pelo estilo de atuar que lembrou o nosso Clint (deve ter assistido todos os filmes). Com isso, Heath (“Dez Coisas que eu Odeio em Você”) conseguiu, a exemplo da própria Reese Witherspoon (“Johnny e June”), que já ganhou seu Globo de Ouro, superar os “filmes de adolescentes”. Nesta semana, além de “Johnny e June” (Walk the Line), estréia “Capote”, a produção que possivelmente dará o Oscar ao rouba-a-cena Philip Seymour Hoffman, que, a exemplo de Jammie “Ray” Fox no ano passado, encarnou com fervor uma personagem, neste caso, o jornalista e escritor Truman Capote (“Bonequinha de Luxo”). O feito de Philipinho pode ser testado na aparição do próprio Capote na comédia (imperdível) “Assassinato por Morte” (1976), cujo elenco reúne Peter Sellers, David Niven, Maggie Smith, Peter Falk e (a primeira atuação d)o então jovem ator que depois interpretaria o dono de Baby, O Porquinho. Mas, voltando ao caso do famoso, rico, elegante, inteligente, charmoso, sexy, cool, bem-humorado, boa-praça, talentoso, poderoso e (como se tudo isso não bastasse) lindo George Clooney: realmente, apesar de todas as indicações que recebeu, o gato deveria, pelo menos, no final de "Boa Noite, Boa Sorte", ter nos “informado” tanto da vida do jornalista quanto do senador mala e seus males, que não foram poucos. Por exemplo, uma das pessoas prejudicadas pela “caça aos comunistas” promovida pelo vilão foi o escritor e roteirista Dalton Trumbo, cujo julgamento aparece nos extras de “A Princesa e o Plebeu” (1953). Banido de Hollywood por “ser julgado comunista”, Trumbo só pôde aparecer nos créditos e ganhar o seu pão-de-cada-dia sob a condição do pseudônimo Ian McLellan Hunter. E essa presença, ainda que mascarada, só aconteceu graças ao ato de coragem do superdiretor William Wyler. Mas George não me ouve...

P.S: Sobre a terrível “temporada de férias nos cinemas”, é bom eu começar a me acostumar a ela...