UNIVERSO DAS COISINHAS

24.2.06

UM BRINDE ÀS GAFES E AOS GAYS!


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Baseada nesta foto, vou contar uma história, uma história verídica (voz de Cid Moreira). Os nomes verdadeiros serão evitados para não constranger os envolvidos. Aconteceu com uma amiga. Ela trabalhava num jornal de interior. Assim como ocorre nas publicações de grande circulação, havia colaboradores no tal matutino, articulistas. Um deles, cuja profissão não sei, era homossexual, e tinha, como se diz, “toda a bagagem”, toda a “pinta”, mas logicamente não queria que isso saísse nas primeiras páginas dos jornais. Naquele fatídico texto, assinado por ele, o cidadão escreveu algo espalhafatoso, ao modo dos títulos de fantasias carnavalescas, como “a aurora da arte e suas implicações metalingüísticas nas possibilidades do amor em sua plenitude”. Algo que virou motivo de qui-qui-qui na pequena redação. Como se sabe, embaixo de cada artigo, crônica, publicado em jornal, costuma-se escrever “Fulaninho de Tal é...”, aí vai de astrólogo a deputado, passando por psicólogo, somaterapeuta, cabeleireiro, ginecologista... No crucial momento, o diagramador, com as duas mãos postas no teclado, pergunta pra minha amiga, “Fulaninho de Tal é o quê, hein?”. Ela: “Gay!”. Todos riram, concluíram a edição e foram para suas casas com a sensação do dever cumprido. No outro dia, do prefeito ao flanelinha, a cidade inteira lê: “Fulaninho de Tal é gay”. E Fulaninho de Tal morava na tal cidade. Foi um rebu. A pobre, autora da inocente brincadeira não compreendida pelo colega de trabalho, foi obrigada a, junto com o editor, bater na casa do Fulaninho de Tal e apresentar, além das desculpas iniciais, a notícia em primeira mão e acrescentar que, infelizmente, apesar da hora, 15 mil jornais já tinham sido rodados e distribuídos para toda a cidade com a tal informação. Fulaninho de Tal, em todo o seu direito de processar o jornal e ganhar uma boa recompensa pela vergonha pública, vendo a aflição na cara dos “culpados”, encarou o ocorrido como a mais profunda verdade de sua vida, como se lá estivesse publicado um dispensável, mas simples e socialmente aceitável “é homem” ou “é mulher”.
Momento Gorpo: Dali em diante, pelo menos naquela redação, todos aprenderam que brincadeira não é para se levar a sério e que, exatamente por isso, ninguém perdeu o emprego.

20.2.06

FOREVER YOUNG


Mick e Bono, juntos consomem a maior quantidade de tinta pra cabelo na história da música.
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Antes dos sixties, a “onda era ser velho”. Segundo Nelson (quando digo “Nelson”, não preciso dizer o Rodrigues, né? O Nelson Rubens é que não é, muito menos o Piquet ou o Gonçalves), em sua juventude, os jovens tinham vergonha de ser jovens: “eu andava rente às paredes, com medo de que alguém descobrisse que eu era jovem”. A partir dos anos 1960, os jovens começaram a falar. E principalmente a serem ouvidos. (Aí, a publicidade os descobriu e danou-se tudo!) Foi nessa época que dois famosos velhos despontaram, Mick Jagger, 62, e Woody Allen, 71. Neste final de semana, fiquei feliz, “satisfeita”, em assistir a mais recente produção dessas pessoas da terceira idade. No sábado, o show dos Rolling Stones não apresentou muita coisa de diferente do que já conhecemos. Apesar das muitas primaveras, Maracujagger continua com fôlego para a performance olímpica de maior vocalista de rock desde que o rock é rock (não porque vem repetindo os gestos, caras, bocas e requebrados, aos quais estamos acostumados, mas porque sintetiza tudo o que um bandleader pode ser no palco: corajoso, carismático, descontraído, agregador, líder). Bom, se algum fã esperava vê-lo jogando-se no chão, na platéia, subindo como uma lagartixa em alguma estrutura de ferro e tirando a roupa (por completo) deve estar pedindo demais para uma pessoa que faz esse serviço há mais de quarenta anos. Creio que exibir aquela barriga de tanque (e não estar careca!), a esta altura da vida, já seja um espetáculo em si. Aliás, esse show poderia ter sido considerado “decadente por completo” (por muitos detratores), se Jagger e o resto da banda estivesse ostentando aquele bucho de chopp, o qual estamos entediados de ver nos sessentões papudinhos deste país. Estou orgulhosa de Mick, de sua barriga, de seu cabelo pintado, de suas pregas, e vou incluir também o fato dele ter cantado “Oh, no, not you again”, o recado pra Luciana “Gimme"nez, que quer ser sua amiga e confidente a pulso (o título da música também vale para os brasileiros que ligam a TV e têm o desprazer de ver e ouvir a perua). Outro caso de “velhinho prodígio” que nos orgulha é Woody Allen, que, quando parecia já ter nos dado tudo o que tinha que dar (não preciso citar a extensa e diversificada lista de filmes extraordinários), nos aparece com esse Match Point, que aparentemente é uma história trivial, dirigida de uma forma trivial, mas o nosso eterno querido diretor-escritor-ator consegue se reinventar realizando uma pequena obra-prima de narrativa sutil, de personagens bem construídos e marcantes e com uma aula de direção, sem malabarismos. Woody e Mick nos deram uma lição: ser jovem ou ser velho só é bom para quem sabe ser.


"Eu tô num filme de Woody Allen, pôrra!", pensa cada um dos atores de Match Point, inclusive a linda e loira Scarlett, que já está escalada para o próximo.

14.2.06


Yellow me apresentou essa banda há nove meses, mas só agora resolvi escrever este post, por conta de (mais) uma audição na hora do almoço em minha NOVA CASA.
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The Go! Team é esse povo aí com cara de indie que fez o disco essencial hoje em qualquer pista de dança. The Go! Team é sábado de manhã de sol, é céu azul, é jardim, é o pipoco do trovão (pegando carona no título do CD “Thunder, Lightning, Strike”, lançado em outubro do ano passado), é se preparar pruma festa à noite, é Burt Bacharach, James Brown, Stevie Wonder, Spice Girls, trilha sonora de Snoopy, Beastie Boys e a Torcida Jovem, é barulho, é Hey Ya!, é descarga de endorfina, é acabar subitamente com os problemas, é ser transportado pra um lugar onde todos são bons, bonitos, saudáveis, legais, amigos e tem novamente 17 anos. Ouça bem alto, por exemplo, a faixa Bottle Rocket, se possível em casa, sozinho, comece a dançar e encontre a felicidade num pedaço de música.
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Agora é pra valer. Três meses depois de tanto suor e ranger de dentes, finalmente achamos um lugar que cumpre todos os itens que procurávamos: um apartamento maior que o anterior, barato (ou pelo menos, não tão caro), ventilado, bem localizado e com uma... varanda !!! Enfrentamos toda a sorte de aborrecimentos, incluindo bisbilhoteiros possíveis futuros vizinhos, corretores pegajosos, cozinhas com portas de saloon, salas quentes, quartos barulhentos, porteiros tarados, imobiliárias extremamente burocráticas, argh! Depois disso, veio a mudança, o estresse em si, que incluiu ainda senhoria no pé, procura de pintor bom e com preço “em conta”, ligações para empresas de transporte dos móveis, atendentes cafuçus, escalação de irmãos para ajudar no carregamento, etc. Para resumir, estamos mudados. Quando penso que minha mudança tinha sido um sufoco, encontro ontem com um amigo que me diz que foi se mudar há duas semanas e terminou no xadrez. O coitado pegou emprestada uma caminhonete de um colega para fazer a empreitada. No meio do caminho foi parado por uma blitz. Pediram documento e tal. Começaram a revistar o carro, encontrando nada mais, nada menos que um revólver (esse meu amigo não sabe nem atirar de badoque). “Cabra safado!” - a polícia começou desta forma a prisão, o algemou, levou pra delegacia, depois pro Cotel. Detalhe: o dono da caminhonete não tinha documento de porte de arma. Então, a pessoa que iria se mudar, amargou 36 horas no xadrez, onde ainda apanhou dos fardados, tirou aquela foto com o número embaixo do rosto e teve que pagar a presos pra ser bem tratado. Na cela, um dos detidos disse “aquele revolver não mata ninguém, com aquilo eu chamo garçom em bar”. Hoje, esse cidadão está com advogado tentando provar que estava apenas tentando fazer uma mudança.


Banda paralela de Jack White - Será que ele finalmente vai dar o lavra em Meg?

6.2.06

GEORGE NÃO ME OUVE


ALTO DO BRÔQUEBEQUE - Esse da direita não é Jake nem a pau!
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Finalmente após a terrível “temporada de férias” e com essa corrida ao Oscar, os cinemas começam a agendar os bons filmes. Alguns coincidem nos temas e no bafafá: homossexualismo, jornalismo e mundo caipira. Tem “Johnny e June”, cinebiografia de Johnny Cash que estréia nesta semana no Brasil, e “O Segredo de Brokeback Mountain (além de Heart of Gold, de Jonathan Demme, de O Silêncio dos Inocentes, sobre Neil Young, que estréia nos EUA na sexta). Brokeback, favorito ao Oscar de melhor filme, mais do que uma história que envolve gays é uma bela história de amor entre dois homens. Brokeback é muito bem dirigido até 1h30 de projeção, até que no minuto seguinte você começa a ficar cansado porque Ang Lee perde as rédeas e o filme parece se resolver por si só, o que apesar de não ser bom, pelo menos, não traz um resultado desastroso. "Boa Noite, Boa Sorte" é a produção que parece ter alçado George Clooney de vez à condição de “homem de respeito” em Hollywood – ainda é cedo para dizer, mas uma espécie de Clint Eastwood. Contando a saga real do jornalista Ed Murrow contra o ultra-conservador Joseph McCarthy, Clooney, mesmo com todos os confetes recebidos por este filme, não consegue ser criativo dentro das limitações das filmagens ambientadas em um estúdio de TV e dos registros dos discursos da época, ao contrário de Ang Lee que segura o espectador nos 50 minutos iniciais com apenas dois atores e um cenário, o campo (esse momento é uma obra-prima, como bem escreveu Rodrigo Carreiro). A dupla Jake “Donnie Darko” Gyllenhaal e Heath Ledger merece com ardor as indicações às estatuetas, principalmente este último pelo estilo de atuar que lembrou o nosso Clint (deve ter assistido todos os filmes). Com isso, Heath (“Dez Coisas que eu Odeio em Você”) conseguiu, a exemplo da própria Reese Witherspoon (“Johnny e June”), que já ganhou seu Globo de Ouro, superar os “filmes de adolescentes”. Nesta semana, além de “Johnny e June” (Walk the Line), estréia “Capote”, a produção que possivelmente dará o Oscar ao rouba-a-cena Philip Seymour Hoffman, que, a exemplo de Jammie “Ray” Fox no ano passado, encarnou com fervor uma personagem, neste caso, o jornalista e escritor Truman Capote (“Bonequinha de Luxo”). O feito de Philipinho pode ser testado na aparição do próprio Capote na comédia (imperdível) “Assassinato por Morte” (1976), cujo elenco reúne Peter Sellers, David Niven, Maggie Smith, Peter Falk e (a primeira atuação d)o então jovem ator que depois interpretaria o dono de Baby, O Porquinho. Mas, voltando ao caso do famoso, rico, elegante, inteligente, charmoso, sexy, cool, bem-humorado, boa-praça, talentoso, poderoso e (como se tudo isso não bastasse) lindo George Clooney: realmente, apesar de todas as indicações que recebeu, o gato deveria, pelo menos, no final de "Boa Noite, Boa Sorte", ter nos “informado” tanto da vida do jornalista quanto do senador mala e seus males, que não foram poucos. Por exemplo, uma das pessoas prejudicadas pela “caça aos comunistas” promovida pelo vilão foi o escritor e roteirista Dalton Trumbo, cujo julgamento aparece nos extras de “A Princesa e o Plebeu” (1953). Banido de Hollywood por “ser julgado comunista”, Trumbo só pôde aparecer nos créditos e ganhar o seu pão-de-cada-dia sob a condição do pseudônimo Ian McLellan Hunter. E essa presença, ainda que mascarada, só aconteceu graças ao ato de coragem do superdiretor William Wyler. Mas George não me ouve...

P.S: Sobre a terrível “temporada de férias nos cinemas”, é bom eu começar a me acostumar a ela...

2.2.06

BLOCO DA SAUDADE



“Florilton Tabosa, te encontrar é garantia de diversão, de alegria, de celebração, de energia boa. Você está sintonizado com o que há de bom. Por isso merece tudo do bom e do melhor que a vida possa oferecer. Te curto, lindo!”. Este foi o depoimento que registrei no orkut, em dez de maio do ano passado para Flor, e é assim que vamos tê-lo daqui adiante. Estamos todos muito tristes porque queríamos tê-lo ao nosso lado, do lado dos que estão vivos, do lado da vida. Mas quem somos nós para dizermos que nós é que estamos na “vida”? De qualquer forma, do “lado de cá”, Flor continuará presente enquanto houver alguém se divertindo, amando, sorrindo, bebendo, caindo no frevo, no maracatu, no eletro, no samba, no rock, se encantando com algum filme ou livro, sentindo as boas vibrações da presença da diva Maria Bethânia, evoluindo como ser humano, Se Entregando Por Inteiro à Vida.