UNIVERSO DAS COISINHAS

25.11.05


Reese, legalmente morena, ladeando Dolly Parton.
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FIRMES
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Com tanto filme para rever e ver, fui logo me pegar com esse Marcas da Violência. Não sei o que as pessoas viram em David Cronenberg. Deve ter sido o nome, David Cronenberg, que ele deveria vender para um cineasta que realmente merecesse um nome tão legal. Fui assistir porque segundo críticas seria quase uma obra-prima. Mas é tão ruinzinho que Ed Harris acaba sendo um dos melhores atrativos. Viggo Mortensen, o Rei do Senhor dos Anéis, o protagonista, tá lá, péssimo como sempre. A história é muito boa, mas a direção é padronizada demais, e em nenhum momento se esquece que aquilo é um filme, limpinho e certinho. Parece filme de Supercine, aqueles feitos pra TV e que a Globo exibe nas noites de sábado. Pelo menos, não paguei o ingresso, que ganhei numa promoção do Kinemail (www.kinemail.com.br).
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Por enquanto, meu dinheiro pro cinema vai ser empregado em mais um filme-evento deste 2005, o novo Harry Potter (deixar Daniel Radcliffe e J.K Howling mais pôdi de ricos do que já são), e Cinema, Aspirinas e Urubus que, como diria Jorge Ben na música que virou tema do Show de Calouros de Sílvio Santos, é coisa nossa.
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A respeito da confusão: até agora ninguém falou que um dos maiores problemas do aumento das passagens, além dos 15 centavos a menos no bolso, é que os cobradores estão sem troco com esse quebrado dos R$ 1,65. E ficam alugando, negociando com as pessoas na catraca. E isso é um saco, principalmente se você está cheio de sacolas, correndo o risco de levar um tombo (que negócio de paulistano!). Não vamos nos esquecer que uma freiada brusca de motorista de ônibus lascou Frida pra sempre.
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Depois de Marcas da Violência, arrastamos para as lojas Americanas do Tacaruna. Saímos de lá com o DVD (duplo) No Direction Home debaixo do braço a R$ 44,00 (encontrei com Goethe no almoço hoje, e ele disse que pagou R$ 49,00)!!! Como diria Seu Cajueiro, esse documentário deve ser arreTAdo!
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A minha queridinha Reese Whiterspoon, aquela de algumas leseiras como Legalmente Loira 1, 2 e Segundas Intenções, meteu-se numa produção aparentemente séria. Vai interpretar June Carter em Walk the Line, cinebriografia de Johnny Cash, encabeçada por Joaquin Phoenix. Mas algo me pareceu esquisito nessa produção: o cara que escolheram para fazer o papel de Elvis. O que é aquilo?! Mas também não parecer ser uma tarefa fácil encontrar alguém que se assemelhe a Elvis, que seja ator e... que ainda interprete Elvis (!) com certa decência. Enfim. O diretor de Walk the Line é o mesmo de Garota Interrompida, aquela xerox de Um Estranho no Ninho. Medo.
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Alívio. Foram lançadas nos Estados Unidos as temporadas cinco e seis de Seinfeld.
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Ontem tive o segundo sonho do mês ambientado nesse clima que envolve Náutico, Santa Cruz e possibilidade de ir à Série A. E nenhum subia, como previu Baba Xola.

23.11.05

KEEP ON ROCKIN' IN THE FREE WORLD


Eis aqui os primeiros registros da The Nameless Band, feitos por Patti Smith do Cordeiro, com os guitar heros Yellow e Boscão (com o aclamado visual alt country) dando tudo de si, e eu no momento Mamãe Quero Ser Neil Peart.

18.11.05

TIRE O PUNHAL DAS MINHAS COSTAS


Clique na imagem e veja, com seus próprios olhos, a punhalada que partiu de uma certa pessoa, cujo nome começa com Jarmeson de Lima, e sua chocante tentativa de difamar publicamente um santo nome.

17.11.05

BOB DYLAN, WILCO, RAFA E IRACEMA


INSIGHT A partir deste pneu rolante, o garoto teve a idéia para mais um clássico. Foi só botar uma pedra no meio do caminho.
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Almoçar em casa é como uma miragem. Você atravessa um deserto, neste caso, com carros, semáforos, pessoas, ruas e o sol na cabeça, para, enfim, encontrar aquele espaço que não é o self service mais próximo do seu trabalho, como o restaurante Comida Ruim (“Cada vez pior para melhor servi-lo”) perto do meu silviço. Em casa, um banquete era o que certamente não me esperava. Mas, pelo menos, o som estava lá. Comi o inhame da janta (janta é muito bom) de ontem, com alface e salsicha de frango, e me dei por satisfeita, desde que estivesse ouvindo algo que prestasse. Peguei o violão (que anda largado) e tentei pretensiosamente acompanhar Acadian Driftwood, a 17ª faixa do “The Best” do The Band, a música que deveria ter uma gaita e não uma flauta no arranjo. Este disco traz I shall be released, de Bob Dylan. A canção foi a que encerrou a aparição do Wilco, no Tim. Há duas semanas, a MTV passou um especial sobre o festival, com trechos de shows e entrevistas. Em uma delas, Rafa (Sabe Rafa? Já superei o advento "Rafa na MTV". Hoje até gosto dele), pois bem, Rafa entrevista a banda e pergunta a Jeff Tweedy como se sentiu ao saber da declaração de Bob Dylan em seu livro de Crônicas (“Quarenta anos mais tarde, estas letras cairiam nas mãos do Billy Bragg e o grupo Wilco. Eles colocariam melodia nelas, dariam vida e gravariam”), no que ele responde, “Estou surpreso pelo simples fato do Wilco já ter passado pela cabeça do Bob Dylan”. E é mais ou menos esta a idéia que tive ao (ter que) voltar do almoço para o trabalho (e vamos comemorar o simples fato de estarmos trabalhando neste país): o mundo só existe e só faz sentido por causa da arte, por causa de Bob Dylan, por causa dos artistas. Quem se importa se o jornalista, o carteiro, o policial, o arquivista, o porteiro, o carimbador, estão fazendo seus trabalhos? Queremos saber se Chico Buarque, Neil Young, Thom Yorke, Paul McCartney, Zeca Pagodinho e Bob Dylan estão fazendo seu trabalho direito. É a arte, o trabalho deles, que sobreviverá a eles e a nós. Apenas trabalhamos para mantê-la e tê-la (a gente não quer só comida): pra poder comprar o ingresso pro cinema, pro balé, pro teatro, pro show, pro livro, pro disco, pro quadro, pro ca... E pra poder também criar, por quê não? Por isso não acredito num país onde na renda de um cidadão não há espaço para isto. Porque ninguém vai conseguir abafar a violência das pessoas com (mais) policiais nas ruas, enquanto estas pessoas não tiverem acesso a I Shall Be Released ou algo próximo disso.
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CAVIAR - Era só o que faltava! O ícone máximo do mundo culinário dos grã-finos está em extinção. Sabe o caviar? (Você sabe o que é caviar?) Pois bem, o peixe que o produz está desaparecendo (“90% do caviar vem dos esturjões selvagens no Mar Cáspio, onde a pesca indiscriminada desde o colapso da União Soviética vem causando problemas”, disse uma matéria). O esturjão está tão ameaçado que os EUA proibiram as importações do caviar mais caro – o beluga. Em quatro ou cinco anos não haverá mais peixes para caviar. E agora? Quando eu finalmente me tornar milionária, não poderei mais ter a chance de degustar a igüaria com champanhe no café-da-manhã?! Em 1990, uma cartomante disse que eu, um dia (UM DIA!), ficaria rica. Já se passaram 15 anos e nada. De vez em quando me lembro que um dia serei grã-fina e aproveito o pagamento das contas de luz nas casas lotéricas (a melhor idéia do mercado financeiro dos últimos tempos) para jogar. Enquanto os dias de riqueza não chegam, vou apreciando o caviar dos pobres: a castanha - a da marca Iracema está com o pote de 100 gramas (!!!) a R$ 5,00 (!!!). Que o pariu.

7.11.05

ABALOU PARIS


ORIGINAL STYLE Fabinho Trummer "auto-cassou" o seu show no último sábado.
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Que o mundo dá voltas todo mundo sabe. E, como diria a outra frase “botequinesca”, uma imagem vale mais do que mil palavras. Por isto, publico aqui este longínquo retrato desse bonito rapaz numa época em que ele, Ex-Todo Poderoso, que nem sonhava em serhr Todo Poderoso, muito menos Ex-Todo Poderoso, exibia um cativante, charmoso e romântico arhr de jovem idealista, destoando da atual imagem de velho arrogante e autoritário, tão propagada em matérias bombásticas e mal-humorados closes. O mocinho exalava um arhr francês, um arhr François Truffaut, numa época em que as confusões estudantis em Paris achavam que eram realmente confusões até assistirhr às presentes confusões. É o tempo provando a crueldade de seu caráterhr devastadorhr e lançando uma pergunta: qual é o exato momento em que um bem-apessoado, inteligente e sonhadorhr rapaz como este se torna José Dirceu, ôpa, José Dirhrceu?

1.11.05

DIÁLOGOS IMPERTINENTES


E, de quebra, uma foto e um episódio impertinentes: O mestre de cerimônias de um evento cultural vai ao microfone e diz: "Gostaria de convidar para a mesa o ministro Raul Gil". A platéia vai abaixo e ele faz cara de "o que é que foi?"
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1) "VOU TE LEVAR, IÊ, TE LEVAR DAQUI..."
Quinta-feira, após a malhação (sim, agora eu malho), estou com Jarmeson no Mercado da Madalena (sim, isto não combina com as calorias perdidas uma hora antes), aí surge um daqueles vendedores de "back ups".

Eu: Vou perguntar a esse cara se ele tem o DVD da Rádio de Outono.
Jarmeson (produtor da Rádio de Outono): Bandida!
Vendedor de piratosos: Vai um DVD?
Eu: Tem aí o DVD da banda Rádio de Outono?
Vendedor de piratosos: Vai chegar uma remessa na próxima semana.
Vendedor de piratosos (depois de três minutos refletindo): Issé róqui?

2) URBOCOMOCO (é assim que se escreve?)
No super aniversário de Felipe, o trintão, que reuniu Olinda e Recife num só corpo, num só copo, num só coração, há um momento em que Steninho (Ixchisteninho), já metade sangue, metade álcool, canta gritando ao microfone: “Eu vou comer seu c.!!!”.

Eu (olhando pra cara desolada de Yellow): Que cara é essa, Yellito?
Yellow (desolado, depois do pratão de feijoada e 300 cervejas): É que no domingo passado eu tava vendo o Television.
Eu: Aahahhahahahhahahahha!!!

3) É VERDADE

No domingo, mil cervejas depois, enquanto Felipe, o pai de Raul, tocava com uma das 21 bandas escaladas pra festa...
Eu: Araújo, acho que chegou a hora de gritar “Toca Raul!!!”.
Araújo: Ou “Chama Raul!!!”