UNIVERSO DAS COISINHAS

29.9.05


Dirty Harry, o Seu Lunga dos isteites, diria "No way!".
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O SINHÔ TÁ DANÇANDO ARMADO
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No domingo, dia 23, o país vai parar (não, no domingo o país costuma estar parado, ou melhor, mais parado) para um grande evento. Não, não é o show dos Strokes, que acontece neste dia, em São Paulo. Mas, a votação do referendo popular do desarmamento. Neste dia, sangue de Cristo tem poder, estarei no Rio de Janeiro (depois de assistir ao show dos Strokes, na sexta, no Rio), ainda curtindo o Tim Festival. Que lindo. O referendo do desarmamento rolando com a pôrra, e eu, em pleno paraíso dos AR-15, pistolas e três-oitões. Dizem que o crime organizado (e o desorganizado) está preparando uma grande boca-de-urna para o dia de votação. Por mim, os maus elementos podem continuar em suas casas, ou melhor, cativeiros, porque o meu voto já é “não”. Everybody knows que essa “corrente do bem” que pede o desarmamento não vai conseguir desarmar quem merece estar desarmado. Só vai ser mais uma lei que não será cumprida por quem deve cumpri-la e que vai penalizar quem já vem sendo penalizado. Se essa lei for aprovada, arma vai virar uma espécie de droga, que, mesmo proibida, será vendida e consumida, alimentando, talvez ainda mais, o “governo paralelo” do país. O que o governo (oficial) deveria fazer é obrigar o aumento do preço das balas (para o cidadão comum, incluindo aí o pai de família honesto e trabalhador e o ladrão cabra-safado). Como disse o ator Chris Rock numa dessas premiações da MTV: “Uma bala deveria custar uns U$ 5 mil. Assim quando o sujeito levasse um tiro, as pessoas iriam se perguntar ‘o que danado (“what da hell!!!”) foi que esse cara fez pra merecer que alguém gastasse U$ 5 mil para tentar matá-lo?!!!’”. Talvez assim a vida (ou a morte) de uma pessoa fosse mais valorizada. E o dono da loja que vendesse uma bala de matar pelo preço de uma bala de chupar, iria direto pro xilindró refletir um pouco sobre a vida. P.S: E, saco, vou ter que embarcar naquela burocracia de voto em trânsito, justificar “sei lá o quê” porque estarei longe da minha zona eleitoral. E, aproveitando a palavra, este país é uma zona mesmo! Acho que partirei em turnê com os Strokes.

22.9.05

ALÉM DE GÊNIO, PETER RASGOU DINHEIRO, JOGOU PEDRA, COMEU MERDA E DEU NA MÃE


Foto para tremer: as duas lendas nas filmagens de Dr. Strangelove.
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Orson Welles defendia que o ator nasce apenas para um determinado papel, contrariando o conceito universal de que a verdadeira função seria a de “vestir” qualquer personagem. Os anos, os filmes, as peças costumam comprovar a teoria do cineasta até o momento em que chegam a nós raros fenômenos provando o inverso. Peter Sellers, o genial britânico morto em 1980, é uma dessas aparições. Para quem já teve a chance de assistir a sua “performance” (Dr. Fantástico, Lolita, A Pantera Cor-de-Rosa, Assassinato por Morte, Muito Além do Jardim, entre outros), com ele sempre encabeçando os melhores itens de qualquer produção, aqui vai uma dica: A vida e a morte de Peter Sellers, lançado agora em DVD. Até ver esse filme, eu achava que ele era doido, mas não tinha idéia do quanto. Em uma das passagens, o filho do ator inglês abraça o pai e pergunta se ele ainda gosta dos (dois) filhos. Peter: “Sim, mas não mais do que de Sophia Loren”. O ator tinha acabado de comunicar à (primeira) esposa, na frente dos filhos, que queria a separação porque estava loucamente (loucamente é o termo exato) apaixonado pela atriz italiana. Globo de Ouro de Melhor Ator e Melhor Filme feito para a TV, “A vida e a morte...” é muito bem dirigido e a escolha de Geoffrey Rush para cumprir a dura tarefa de interpretar Peter Sellers foi iluminada. Em boa parte, Rush era Sellers (e isso é muito), com a diferença de não ter o dom para a comédia do segundo. Para os fãs de Peter, o filme pode ser um balde de água fria na idolatria. Porque o revela como um homem egocêntrico, egoísta, agressivo, depressivo, drogado, incapaz de se preocupar com o sofrimento e a dor alheia. Há uma metáfora para explicar sua genialidade, um copo vazio que abrigaria qualquer líquido, um ser vazio que abrigaria qualquer persona. É triste encarar o “lado negativo” de nossos ídolos. Mas desde que o tempo é tempo a arte parece só encontrar verdadeiro abrigo nos doidos.
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P.S: Se estivesse vivo, PS faria 80 anos agora em setembro.
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E agora uma lista “Atores que eu colocaria num filme (se alguns não estissem mortos no significado exato da palavra ou no outro e se eu fosse cineasta com fama, luxo e riqueza)”:
1) Peter Sellers
2) Marlon Brando
3) Edward Norton
4) Robert De Niro
5) Jack Nicholson
6) Javier Bardem
7) Humphrey Bogart
8) Sean Penn
9) Philip Seymour Hoffman
10) Tony Ramos
11) Lula

ZEZÉ x RITA LEE

15.9.05

A VERDADEIRA FACE DE JARJAR


TITITI Eu, inocente, dia desses, sou flagrada ao lado do elemento. Aconselho: ao avistar esse cidadão na rua, mude de calçada, ou ele terminará produzindo a sua banda. Leia o estarrecedor diálogo a seguir:
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Jarmeson <<>> diz:
Curitiba, São Paulo e Rio, aqui vou eu!
Jarmeson <<>> diz:
hehhee
Rio, aqui vamos nós! diz:
Tu só vive de farra, né?
Rio, aqui vamos nós! diz:
Tu vai pro Tim, suponho, né?
Rio, aqui vamos nós! diz:
Show dos Strokes?
Rio, aqui vamos nós! diz:
Vamos nos ver lá?
Jarmeson <<>> diz:
hehehe
Jarmeson <<>> diz:
nao, deb...no have money pra isso
Rio, aqui vamos nós! diz:
No Rio tu vai fazer o quê?
Rio, aqui vamos nós! diz:
'Curitiba, São Paulo e Rio", me dê o seu plano de vôo.
Jarmeson <<>> diz:
no rio vou com a radio de outono pra mais um show da turne
Rio, aqui vamos nós! diz:
Quando?:
Jarmeson <<>> diz:
dia 4
Jarmeson <<>> diz:
eu disse... no have money pro tim
Rio, aqui vamos nós! diz:
Mas pro Curitiba você tem, né?
Jarmeson <<>> diz:
tb nao tenho, mas eles vao tocar lá e eu tenho q ir junto tb
Jarmeson <<>> diz:
hehehe
Rio, aqui vamos nós! diz:
Ah, eu quero também.
Rio, aqui vamos nós! diz:
Tem uma banda ruim pra eu produzir também, não?
Jarmeson <<>> diz:
maizénada!!
Jarmeson <<>> diz:
hahaha
Jarmeson <<>> diz:
produz o badminton, oras!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Eita! Vou mandar essa pra Felipe!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Ahahahahahhah!!!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Essa bateu forte!
Jarmeson <<>> diz:
ui! hahaha
Jarmeson <<>> diz:
bateu, levou! (direto de A Gata Comeu)
Rio, aqui vamos nós! diz:
Bicho véi da gota!
Jarmeson <<>> diz:
hahhaha
Rio, aqui vamos nós! diz:
Eu tava querendo copiar e colar pra mandar esse diálogo pra Yellow e não consegui.
Rio, aqui vamos nós! diz:
AAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Teclado de bosta!
Jarmeson <<>> diz:
hauahaha
Jarmeson <<>> diz:
é castigo!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Me acabei de rir aqui.
Rio, aqui vamos nós! diz:
Vou botar esse diálogo no meu blog.
Rio, aqui vamos nós! diz:
E vamos ver quem vai rir por último. AHAHAHAHHAHAH (gargalhada maligna).
Rio, aqui vamos nós! diz:
Seu pestinha!
Rio, aqui vamos nós! diz:
Tu tás onde?
Jarmeson <<>> diz:
pronto, me lasquei!
Jarmeson <<>> diz:
tou no web-messenger... ruim q só a gota :Rio, aqui vamos nós! diz:
E o título vai ser: A verdadeira face de Jarjar...

9.9.05

"TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO" OU "RIO, AQUI VAMOS NÓS!!!"


A pergunta é: o que seria do rock sem o alvoroço do mulherio?
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No tenebroso agosto do ano passado, quando houve mais uma boataria de que Aquela Banda de Nova Iorque iria tocar no Brasil, imediatamente enviei uma alvoroçada mensagem de texto para os celulares de Fabiana, Patti e Lule. Poucos dias depois, no aniversário do leonino Bosco, o assunto foi divertidamente levantando e Morales proferiu a célebre frase: “Eu já perdi muita coisa nesta vida, mas o show dos Strokes eu não perco”. Um longo ano se passou e cá estamos nós a uma distância de 40 dias para ficarmos cara a cara com os meninos. Eu e Yellow, que vamos ver o show no Rio, estaremos também frente a frente com Elvis Costello, Television e Wilco. Repetindo: ELVIS COSTELLO, TELEVISION e WILCO.
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Virou clichê dizer que mesmo quem não gosta de heavy metal ou do Metallica vai gostar de Some Kind of Monster. Mas é impossível falar do documentário e não dizer isto. O filme estava pronto pra ser um registro sobre o processo criativo e as dificuldades enfrentadas por uma superbanda, mas consegue ir além. Por meio de uma bem-filmada lavagem de roupa suja, expõe intolerância, mágoa, conflito de idiossincrasias, preconceitos e medos dentro de uma banda bem-sucedida. Os diretores, que tiveram muita sorte com o surto de James Hetfield (que acabou sendo o fio condutor da história), engenharam um final emocionante que, sem sensibilidade, poderia ter resvalado na pieguice. A boa direção faz com que a gente se sinta cúmplice, torça pelos músicos, passe a ter uma (leve) simpatia por Lars “Fuck!” Ulrich e comprove o poder (benigno e malígno) do tempo.
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P.S.: Por isso, vamos aproveitar Aquela Banda de Nova Iorque enquanto o monstro dela não desperta. E preparar a garganta: AAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!

6.9.05

POPA, MESMO QUE ESTE TEXTO DIGA O CONTRÁRIO, O DVD SERÁ DEVOLVIDO


Bowie: "Morrissey, fica na tua, o ser mais maravilhoso do mundo sempre fui eu".
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Ano passado, escrevi um texto sobre David Bowie e sua elegância e charme imensuráveis. Ontem, quando terminei de assistir ao novo DVD do homem, lembrei que salvei esse texto num disquete e que não sei mais onde está. Mas queria registrar o seguinte: esse DVD novo dessa criatura é do cacete! Nele, o camaleão apresenta as músicas do novo disco, Reality (que não ouvi), algumas do anterior (o maravilhoso Heathen) e os clássicos. A direção do DVD, gravado na Irlanda, é opressivamente modernosa, tal como Assassinos Por Natureza. Mas, ao contrário do filme de Oliver Stone, não chega a cansar a retina. A questão aqui é o ser. O que é David Bowie? David Bowie é tudo o que um artista deveria ser: camaleônico. Esta é velha, mas continua valendo. Durante todos esses anos ainda não envergonhou seus adoradores, conseguindo manter o talento e a criatividade e, principalmente, a vontade de criar, ao contrário de medalhões do porte de seu ex-parceiro de “nights spendidas”, Mick Jagger, e de gente de sua idade, como Caetano Veloso. Suas músicas, tanto velhas quanto novas, ainda exalam muito frescor, sem frescura. Nessa caudalosa apresentação do DVD tudo é maravilhoso: a banda, o cenário, a iluminação, os arranjos para os clássicos e, enfim, o próprio Bowie - o ator, o instrumentista, o compositor, o cantor (que está com a voz mais grave, devido a dezenas e dezenas de primaveras). Bowie, apesar de ser evidentemente esquisito, permanece lindo. Lindo quando está sério, cantando com a voz A (aquela bem grave, o timbre do anúncio do Juízo Final). Lindo quando deixa escapar o sorriso espetacular, cantando com a voz B (aquela mais aguda, que ele usa no “voodoo” de Ziggy Stardust). No show ele usa de uns expedientes meio enfadados, como a letra de Slip Away projetada no telão e o nome Bowie enorme projetado na tela no final da apresentação. Mas, inacreditavelmente, coisas como estas, além de não soarem cafona, continuam denunciando seu charme e elegância. E quando ele sai do palco, depois de fitar a platéia por mais de duas horas com o olho azul e o outro, o da pupila eternamente dilatada, vai para o backstage, entra no camarim e, então, a porta se fecha e acabou-se o que era doce. E nós só temos que agradecer por estarmos no mesmo planeta dele.
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P.S: Imagine agora uma suposta cena: a pessoa chega do trabalho, vai dormir. Horas depois, desperta do sono. Sai da cama, entra no banheiro, joga água no rosto, olha no espelho e surpreende-se: “Puta que o pariu! David Bowie SOU EU!”. Bem, eu sinceramente não sei como David Bowie consegue conviver com o fato de ser David Bowie. Ah! Ele é David Bowie.