UNIVERSO DAS COISINHAS

31.8.05

O CASTELO ANIMADO


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E assim surgem os preconceitos...Semana passada, uma amiga disse que, na volta de uma festa na casa de uma amiga dela, pegou carona com um sujeito interessante (leia-se lindo, em sua opinião), mas ele tinha um defeito. Perguntei qual. Ela: ele gosta de Zezé di Camargo e Luciano. Eu: esse é imperdoável. Ela: É, ele me disse que estava louco para assistir os Dois Filhos de Francisco. Eu: Peraê, né?!!! Tô querendo ver esse filme também e nem por isso gosto de Zezé di Camargo e Luciano!!!
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Corta a cena: uma semana antes, solto a frase: “Eu curto Zezé”. Assim, sem exclamação, sem o sobrenome e sem o Luciano, para risadagem de Pat, Bosco, Fabiana, Lula, Rogério e Yellow, que, nesta hora, se levantou com a desculpa de pegar uma cerveja (“Nicolau, por que te afastas?”). Bem, disse e repito: eu curto Zezé. Assim, sem exclamação. Não porque ele ficou amigo de Lula, o presidente, em 2002 - quando isso não depunha contra ninguém. Mas porque dentre as incontáveis duplas sertanejas que existem por aí, Zezé, além de ser um “hitmaker” (admiro a capacidade de qualquer compositor ser um hitmaker, seja ele Paul McCartney, Dave Grohl, Beethoven ou Lulu Santos), nas suas entrevistas tem opiniões interessantes que fogem à maioria das baboseiras ditas pelos colegas do gênero. Por estas e outras, quero assistir ao filme sobre Zezé (não vou falar aqui de Luciano, porque aí já é um pouco demais, e levando em consideração o fato dele não ser nada dentro da dupla ou em qualquer coisa). E agora me lembro da lista de coisas que tenho que ver: o programa de Maradona, o programa de Ophah Winfrey, o filme de Walter Salles, A Fantástica Fábrica de Chocolate (as duas versões), O Castelo Animado, O Feitiço de Áquila e mil reais na minha conta corrente, até outubro.
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Sexta-feira passada, eu circulava tranquilamente pela internet quando uma foto me deteve: Diane Keaton e Keanu Reeves se beijando. Pensei: o que a foto de divulgação daquele filme de dois anos atrás está fazendo por aqui? O texto da matéria denunciava um suposto namoro entre os atores. Comentei o caso com essa amiga (a do “sujeito interessante”), que, ao saber da idade dos dois (ele, 40, ela, 59), teceu: “Ele deve estar de olho no dinheiro dela”. Aproveitei a deixa e fiz o trocadalho em termos econômicos (“me poupe”) e acrescentei, “mais respeito com Diane Keaton” (uma das minhas cinco prediletas em Hollywood). A propósito, Diane Keaton não tem mais o que fazer do que se agarrar com Keanu Reeves, não? Porque se tem uma coisa que eu não admito é homem rico, famoso e lindo...sem sal.

23.8.05

SOCOOORRO!!!


MALDIÇÃO Fabiana, A Pimentinha do Recife, só teve um sucesso nas paradas, após praga de criança.
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Ontem, fomos ao Gordo matar a vontade de comer o melhor Arrumadinho de Charque do Universo. Por apenas R$ 6,90, desfrutávamos do pitoresco prato, quando os garçons do Fatboy, em vez de se preocuparem em servir as pessoas de bom coração, resolvem atacar de DJs. A seleção incluía aquela que encabeça a lista das músicas mais cabulosas de todos os tempos, Michelle. Tremi. Esse meu horror de músicas que juntam “acordes menores, uma voz chorosa e uma cornice no meio” teve início quando tinha sete, oito anos. Nessa época, eu só faltava arrancar os cabelos ao ouvir, mesmo que ao longe, o hit da cantora Fabiana: “Ai, papai, ai, mamãe, me levem para casa, porque aqui não fico mais / Não, não, não, não fico não, aquele homem me roubou o coração” (Convenhamos que essa é pra lascar.). Quando escutava essa bexiga, seja nas rádios ou TVs (sim, havia os programas de Jota Ferreira e Paulo Marques), eu começava a reclamar: tira essa múúúúúsica! Minha tia-avó, Dona Cema, embarcava: “Diná (com minha mãe), tira !!!”. Minha mãe, fazendo inveja a Jung, Freud e José Ângelo Gaiarsa, insistia, mesmo não gostando de Fabiana: "isso é frescura"! Um parêntese: quando os filhos nascem, os pais já poderiam começar a alimentar a “Poupança para Uma Provável Terapia”. Pois bem, frescura ou não, a Pimentinha do Recife (vocês notaram a ousadia da referência do apelido, né?) só teve esse sucesso, graças à minha praga infantil. A partir desse lamentável episódio, parei de chorar pelas canções mais miseráveis do mundo e comecei a cultivar uma discreta ojeriza não somente pelas canções cafonas, mas pelas românticas (as que apelam para o drama). Ontem, no Gordo, lá estava mais uma delas: I Started a Joke, interpretada pela voz sofrida do finado Maurice Gibb. Esse não pertubará mais ninguém. Tô brincando. Afinal, quem não simpatiza com os Bee Gees?
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E aqui vamos à lista das mais odiáveis de todos os tempos:
1) "Quatro Semanas de Amor" – Luan e Vanessa (a música é uma versão de uma canção japonesa, o que explica muito a coisa “down”. Vamos lembrar que a dupla só emplacou esse hit, depois se casou e virou crente).
2) A citada música de Fabiana, a cantora-jornalista.
3) "Michelle" e "And I Love Her" - Beatles
4) "De que vale tudo isso", "E Não vou Mais Deixar você tão só", "Despedida", "Eu daria a minha vida", "Nossa Canção" – todas de Roberto Carlos. Ah, e tem também a música que o Rei regravou e que está na novela das sete ou na das oito.
5) "Pedaço de Mau Caminho" – Reginaldo Rossi.
6) "I Started a Joke" – Peter Frampton, na versão dos Bee Gees.
7) "Os Outros" e todas as outras do Kid Abelha
8) "Sentimental Demais" – Altemar Dutra
9) "Você não me ensinou a te esquecer" – Fernando Mendes
10) "Lambada" – Kaoma

16.8.05

NÃO MORREU E AINDA MORA NO RECIFE


"Bem, feliz aniversário, meu bom rapaz".
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Há 28 anos, dois acontecimentos marcavam o mundo. (Supostamente) Morria, em Graceland, um cidadão chamado Elvis Aaron Presley, e nascia, em Yellowland, um certo Luiz Eduardo Cerquinho Cajueiro. Afetado pelo fato de ter desembocado para a vida no mesmo dia da (suposta) morte do Rei, o menino Duda começou a cantar empostando a voz e arqueando as sobrancelhas, tal qual o mito, transformando-se assim em um dos 2,3 milhões de imitadores de Elvis em atividade (o último levantamento foi feito em 8 maio deste ano). Certo dia, quando conheci o Elvis dos Pobres, pensei: “Conheço esse cidadão de algum lugar...”. Como diria Rufus, um outro cantor de voz empostada, i saw it in your eyes what i’m looking for.

12.8.05

E ATÉ A VELHINHA CAIU NA FUZARCA!


Maravilhosa foto roubada do blog de Fabiana, que, assim como Yellow, me prestou ontem virtualmente uma bonita homenagem pela passagem dos meus 14 anos de idade.
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Espero todos amanhã no Gaudí, a partir do meio-dia! Deus abençoe, vocês, meus filhos (com voz de velhinha).

8.8.05

QUEM SE LEMBRA DE PERNA E BUCO?


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Por conta de um desses acessos de memória da infância, me lembrei de um álbum de figurinhas que foi lançado no início dos anos 1980, chamado Perna e Buco. Por favor, alguém se lembra disso?! Nessa época, eu, com meus sete, oito, nove anos, não tinha consciência de riqueza e pobreza. Aliás, nessa idade, as crianças não têm muito a noção de sua classe social, a não ser que sejam confrontadas com outra classe social. Como eu só convivia com filho de pai liso, então qualquer "besteirinha" era uma festa pra todo mundo. Pois bem, nessa era, o Governo do Estado, lançou uma inusitada campanha de arrecadação de impostos. E consistia num plano simples: o álbum Perna e Buco (e as figurinhas) eram trocados nas bancas de revista por notas fiscais. Sucesso absoluto. O povo pedia nota fiscal até pra lapada de cana. Era uma festa de mães fazendo filas nas bancas de revistas. Inclusive, a minha. Perna e Buco contava a história de Pernambuco através dos personagens que lembravam um pouco Mônica e Cebolinha. Vendeu muito. Foi uma lembrança ótima esta. Para ilustrar este texto, procurei agorinha no Google imagens do desenho, mas só apareceram formas de depilação de “perna e buço”. Ainda sob essa nostalgia de quadrinhos, me aventurei no site de Níquel Náusea. Aconselho (o link está no título). É gargalhada garantida (vá na parte “tiras selecionadas” e leia “Na Terra da Fantasia”). Pois bem, no início dos 2000, um amigo me contava, certo dia, que tinha participado de uma roda bememorativa do Festival de Humor. Perguntei quem estava nela. Ele: “Tinha num sei quem, num sei quem, Fernando num sei quem”. Eu: “Peraê! Era Fernando Gonzales?!!!!!. Ele: “Esse!”. - “Pelo amor de Deus, tu não sabe quem é?! Esse homem é um gênio!!!". Contei esse acontecido pra Samuca. E ele então me ofereceu um superpresente de aniversário: um desenho em que estou saltitantemente de mãos dadas com Níquel. E agora não sei onde essa bexiga foi parar. AAAAA!!! (isto foi um grito).