UNIVERSO DAS COISINHAS

30.6.05

"NÓS GOSTAMOS DE VOCÊ"


"Foi um gol de anjo...". Pegando carona no samba, ops, na charanga promovida pelo meu querido Ronaldinho Gaúcho, cito aqui dois sambas de Jorge Aragão em homenagem ao show da Seleção ontem contra as almas. O aperitivo mostra que a Copa de 2006 vai ser uma COISA! Eu não quero nem beber pra ver direito o show que o ataque do Brasil já está ensaiando agora, principalmente com esse Cara aí (Galvão Bueno já está ameaçando encher o saco da gente chamando Adriano de "O Cara" - Ronaldo deve estar com ciúme). Sem heresia, Adriano promete ser o novo Romário da Seleção - quem assistiu à final da Copa América já deve estar desconfiado disso. E, sem querer botar água no nosso próprio chope, a vitória veio fácil demais porque a Argentina estava desfalcada. Convenhamos. Mas, vamos voltar à festa, 2006 vai ser o pipoco! (Por favor, "vai ser o pipoco" ainda é utilizado?)


"Oh, coisinha tão bonitinha do pai..."


"Chora, não vou ligar, não vou ligar / Chegou a hora, vais me pagar, pode chorar, pode chorar"

29.6.05

SIMONINHA, UM SUJEITO DE SORTE


PETE TOWNSHEND COMEÇOU ASSIM Foto nada a ver com o texto abaixo, só para registrar que eu quase perco o tímpano direito por causa da altura da guitarra de Wander Wildner durante o show da Paulo Francis, sábado. Eu gosto do gaúcho, mas não chega a tanto.
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Não. Definitivamente não, o mundo não precisa de mais um disco de Simoninha. No último Rock Gol, domingo (claro), tava lá o filho de Wilson Simonal participando da mesa do programa, e fazendo propaganda do DVD do show feito para a MTV com músicas de Jorge Ben. A questão não é o fato de ter tocado no “sagrado” (que não é mais tão sagrado assim, haja vista o fato de gato e cachorro já ter gravado alguma coisa de Jorge Ben). A questão é que a interpretação de Simoninha é contumaz e estranhamente entediante (estranho porque ele sempre pretende cantar músicas “pra cima”). E isso nos faz lembrar, mais uma vez, de algo também sagrado, o pai. Simonal foi um dos maiores cantores que o Brasil já teve, cantava como um jazzista. Tinha ritmo, afinação, voz bonita e o que se chamava de... balanço, intrínseco, natural e instintivo. Simoninha, a cada frase, parece que está sempre forçando a barra. Fica parecendo um mau ator com cara de ator que está atuando. Simonal só não foi totalmente reconhecido devido àquela confusão na qual fora apontado como delator, história que a OAB desmitificou em 2002, anunciado a inocência do artista, morto em 2000. A Comissão de Direitos Humanos examinou documentos e depoimentos para afirmar que não procedia a pecha de dedo-duro atribuída a Simonal. A partir dessa acusação, no início dos anos 1970, o cantor virou persona no grata no meio e viu sua carreira despontar para o fracasso. Como diria Nelson, sem sorte não se atravessa uma rua; você pode ser atropelado pelo carrinho do vendedor de picolé.

28.6.05


Há um livro sobre cinema que dá conta do melhor dos anos 1990. O bicho é desses chinfrosos, que custam R$ 197, no mínimo. Folheando-o, página a página, descubro que assisti a, pelo menos, 80% do que foi lançado na década anterior. Ou seja, passei boa parte dos anos grunge e mangue com os olhos numa tela de cinema ou de TV. Apesar de a-d-o-r-a-r (nunca fiz isso, eu juro. Não separo as silabas, por medo de errar) cinema, como boa parte das pessoas de bom coração, e assistindo, inclusive, aos clássicos, tenho uma inacreditável dívida a ser paga com os anos 1980. Há uma lista de filmes, que não me perguntem o motivo, ainda não vi. Não é com orgulho que revelo, domingo finalmente vi Depois de Horas e, ontem, Um Peixe Chamado Wanda (!!!). Os próximos da lista serão: Feitiço de Áquila e A Fantástica Fábrica de Chocolate – tenho que correr, antes que estréie a refilmagem.

27.6.05

EU PRECISO DE UM CALMANTE E DE UMA CERVEJA...AGORA!!!


PARE TUDO O QUE VOCÊ ESTIVER FAZENDO E LEIA AGORA O TEXTO A SEGUIR, QUE FOI PUBLICADO NO TERRA MÚSICA AGORINHA A RESPEITO DAS DUAS MELHORES BANDAS DA ATUALIDADE: STROKES E WILCO.
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Os fãs brasileiros finalmente poderão ver o The Strokes de perto. A banda acertou, na semana passada, uma miniturnê, de três (ou quatro) shows, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, segundo o jornal Folha de S.Paulo.
Na capital fluminense, a apresentação ser no TIM Festival, ao lado de outras atrações já confirmadas: a rapper inglês M.I.A. e a banda americana de country alternativo Wilco. O evento vai acontecer nos dias 21, 22 e 23 de outubro. Existe ainda a possibilidade de haver um show extra no Rio, caso os ingressos se esgotem rápido no Museu de Arte Moderna, com capacidade para 6.500 pessoas.
Os shows em São Paulo e Porto Alegre ainda não têm locais definidos, mas devem acontecer em espaços para, no mínimo, 25 mil pessoas.
A banda deve intercalar os shows cariocas (caso realmente aconteçam dois) com as apresentações nas capitais paulista e gaúcha. Ainda segundo o jornal, foi iniciativa do The Strokes não tocar apenas no festival carioca e tentar atingir maior número do público brasileiro.
Na turnê pelo País, a banda deve mostrar músicas de seu terceiro álbum, ainda em fase de gravação. O novo disco, ainda sem nome, só chega às lojas no começo de 2006, sucedendo Room on Fire, de 2003. O primeiro trabalho do grupo, Is This It, foi lançado em 2001 e, curiosamente, já era bastante aguardado, já que a banda ganhou fama e destaque com os primeiros singles.
A banda The Strokes é formada por Julian Casablancas (vocal), os guitarristas Albert Hamond Jr. e Nick Valensi, o baixista Nicolai Fraiture e o baterista Fabrizio Moretti, nascido no Rio de Janeiro, mas que mora nos Estados Unidos desde a infância.

22.6.05


Entre uma tosse e outra, Mestre Yoda em fantástico flagrante de beleza captado por Alcione Ferreira (o link do blog dela está aí ao lado), nossa Sebastiana Salgada, que não entra mais neste blog porque o Deprê vetou o blogspot dos computadores. Aos 800 anos e jedi dos jedis, Yoda luta para continuar tossindo, até porque em 2006 muita gente vai precisar de suas baforadas e coff coffs. E, seja lá o que acontecer daqui em diante, deixem Fafá de Belém fora dessa (lembrem-se de que ela cantou antes e/ou depois para Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e João Paulo II. Muito estranho...).

21.6.05


CASUAL O único problema de se ter um Galaxie é encontrar local adequado para estacionar e esforçar-se na cara de assobio quando todos estiverem olhando exatamente para você. O outro é que um Galaxie não sabe dar autógrafos, embora a pobralhada insista em posar sorridente ao lado dessas inocentes criaturas. Vale lembrar que quando eu e o fotógrafo, cujo nome leva a cor da minha camisa, encostamos e começamos a fuçar o veículo, chega o dono, cheio de chinfra, para interromper, com felicidade, o ensaio das fotos e do furto e diz, com vaidade anti-cristã: "Vi de longe vocês tirando as fotos". Divirta-se, maldito grã-fino! Falar em Galaxie, me lembrou da velha história do velho Miguel Coff Coff Arraes fugindo dos militares em um fusquinha, na época o "must" (ihhh...). Agora não sei a quem dedicar a minha oração de hoje: se para Arraes, Lula, Katie Holmes, Sport, todos os automóveis chinfrosos do mundo ou minha conta bancária. Rezem por mim. E que venham os frilas!

6.6.05

DEU NA FOLHA: SHOPPING BUNKER

Por Alcino Leite
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A nova Daslu é o assunto preferido das conversas em São Paulo. Os ricos se entusiasmam com a criação de um local tão exclusivo e cheio de roupas e objetos sofisticados e internacionais. Os pequeno-burgueses praguejam contra a iniciativa, indignados com tanta ostentação. Antes instalada num conjunto de casas na Vila Nova Conceição, região de classe alta, a loja que vende as grifes mais famosas e caras do mundo passará agora a funcionar num prédio monumental construído no bairro "nouveau riche" da Vila Olímpia e ao lado do infelizmente pútrido e mal cheiroso rio Pinheiros. A imprensa aproveita a mudança da Daslu para discorrer sobre as vantagens de uma vida luxuosa e exibir fotos exclusivas do interior da megaloja de quatro andares e seus salões labirínticos, onde praticamente não há corredores, pois, como diz a dona da loja, a idéia é que o consumidor se sinta em sua casa.Estranha casa, deve-se dizer. Para entrar nela é preciso fazer uma carteira de sócio, depois de deixar o carro num estacionamento que custa R$ 30,00 (a primeira hora). Obviamente, tudo isso tem por objetivo selecionar os consumidores e intimidar os pouco afortunados --os mesmos que, ao se aventurar na antiga loja, reclamavam da indiferença das vendedoras, as dasluzetes, muito mais solícitas com aqueles que elas já conheciam ou que demonstravam de cara seu poder de compra.As complicações na portaria visam também, embora não se diga com clareza, a proteger o local e dar segurança aos milionários de todo o país que certamente farão da nova Daslu um de seus "points" durante a estadia em São Paulo, como já ocorria com a antiga casa. A segurança é um item cada vez mais prioritário nos negócios hoje em dia --antes mesmo da inauguração, a loja teve um de seus caminhões de mudança roubados.As formalidades na entrada levam ainda em conta a privacidade do local de quase 20 mil metros quadrados, não muito longe da favela Coliseu (sic). A reportagem de um site calculou, por falar nisso, que a soma da renda mensal de todas as famílias da favela (R$ 10.725, segundo o IBGE) daria para comprar apenas duas calças Dolce & Gabbana na loja.Tais fatores, digamos assim, sinistros da realidade brasileira é que impulsionam o pioneirismo da nova Daslu. Sim, a loja é uma empreitada verdadeiramente inédita. A Daslu, que desenvolveu no Brasil um certo tipo de atendimento exclusivo e personalizado para ricos, agora introduz, pela primeira vez no mundo, o modelo do shopping-bunker.Todos sabem como os shopping-centers floresceram em São Paulo e nas capitais brasileiras, tanto pelas facilidades que propiciam para a gente que vive nos centros urbanos congestionados e tumultuados, quanto pela segurança. Ao longo dos anos, eles foram surgindo aqui e ali, alterando a sociabilidade e a paisagem das cidades. Acabaram se transformando em uma espécie de praça (fechada), onde as classes alta e média podiam circular com tranquilidade, sem serem importunadas pela visão e a presença dos numerosos pobres e miseráveis, que, por sua vez, ocuparam as praças públicas (abertas), como a da República e a da Sé, em São Paulo. Dentro dos shoppings, os brasileiros sonhamos um mundo de riqueza, organização, limpeza, segurança, facilidades e sobretudo de distinção que lá fora, nas ruas, está agora longe de existir.Mas talvez os shoppings, mesmo os mais sofisticados, como o Iguatemi, tenham se tornado democráticos demais para o gosto da classe alta paulista. A cada pequeno entusiasmo econômico, logo a alvoraçada classe média da cidade resolve se intrometer aos bandos nas searas exclusivas dos muito ricos.Além disso, o modelo arquitetônico dos shoppings envelheceu bastante, em vista das demandas atuais por proteção e privacidade. Quantos dos velhos shoppings comportam, como a nova Daslu, um local de pouso para helicópteros? Nos velhos shoppings, quem garante ao milionário, entre uma loja e outra, que a pessoa que caminha ao seu lado não o está seguindo ou investigando seus hábitos?Sabemos como os ricos vivem acossados neste país. Volta e meia, gangues invadem prédios de apartamentos de milhões de dólares, apesar da segurança ostensiva e do complexo sistema de proteção. Os condomínios de casas se esmeram na criação de esquemas de vigilância, bem como as escolas que educam as elites. Os carros blindados viraram mania no Brasil, onde prolifera também um exército imenso de seguranças particulares, que, no entanto, não evitam a série de sequestros.Mais dia, menos dia, em decorrência disso tudo, alguém teria a idéia de criar um novo tipo de centro de compras, superprotegido e super-seletivo, como ocorreu à Daslu. Não deve demorar muito para que imitações deste novo modelo de shopping-bunker se espalhem por outros cantos de São Paulo e pelas cidades tristes do Brasil.