UNIVERSO DAS COISINHAS

31.5.05

MEU SOBRINHO


Lucas: "Papai, eu não vou ter que ouvir heavy metal, não, né? Por favor, já me basta encarar Nando Reis todo dia por causa da minha mãe. Socooooorro!"

30.5.05

BLOGSCO


Dia desses, o cidadão que está segurando a sombrinha rosa-bebê afirmou enfática, heróica e categoricamente, "eu odeio blogs", com três exclamações no final da frase. Hoje, só quem não tem blog nesta foto é a sombrinha rosa-bebê. João Bosco, o Boscão, assina junto com Quéops "Conhece Todo Mundo" Negão o Sururu (http://www.sururu-pe.blogspot.com/). E seja o que Deus quiser. A propósito, nesse dia do flagrante fotográfico estava realmente chovendo. Não era "pinta" coletiva, não. Que a gente tem mais o que fazer. Blogs, por exemplo.



JACKSON DO PANDEIRO EXPERIENCE
*
Não tenho a menor dúvida de que na lista das melhores coisas que já fiz para mim está o fato de começar a ouvir Jackson do Pandeiro. Esse "começar a ouvir" parece algo meio solene, mas não o é. Vejamos: Luiz Gonzaga todo mundo, que beira ou já passou dos trinta, cresceu ouvindo. Mas Jackson, não. Não tocava nem toca em rádio. Seus discos nem eram nem são fáceis de encontrar. De maneira que somente em 1998 tomei vergonha na cara e resolvi comprar algum CD dele. Só a partir daí passei a entender a adoração em torno do miudinho e, desde então, não tenho o menor pudor em defender: Jackson foi o maior cantor que o Brasil já teve (levando em consideração que para ser um bom cantor não é preciso ter exatamente uma bela voz, como a de Milton Nascimento, nem empostação, como Nelson Gonçalves e Orlando Silva). Elvis disse uma vez, "ritmo: ou você tem ou não tem". Não se pode fazer de conta. E nisso Jackson é o Rei. O que fica bem claro principalmente na gravação do Programa Ensaio (que será transformado em DVD, como o de Elis), lançada em CD há uns quatro anos. Criativo, Jáqui põe interjeições no meio das estrofes, comenta o tema da letra, toca o pandeiro, dança, faz expressões faciais e volta a cantar as primeiras estrofes de reinventado a forma já impressionantemente diferente e original como cantou na primeira vez, isso com a naturalidade e espontaneidade de quem bebe um copo d'água ou de cerveja. Pinta miséria. A genialidade intuitiva, este caso raro, encontra paralelos distantes, como em Zeca Pagodinho, o maior cantor de samba da atualidade, mas ainda assim n�o tem comparação. O problema é encontrar os discos. A discografia de Jackson é uma coisa complicada. Oitenta por cento do material encontra-se ainda inédito em CD, que o diga Zé Manoel, o cidadão que vem a ser o único e maior colecionador da obra do artista. Conheci Zé Manoel em 1991, quando namorei o seu primo Soneca. Depois Zé tornou-se figura referencial para o Cascabulho e o Mestre Ambrósio. Alguém deveria fazer o favor de entrar em contato com essa criatura e lançar uma caixa de nosso Jack. Para o bem da humanidade. Agora não me lembro se foi Zé Manoel, Zé Teles ou Julio Jacobina que me disse certa vez ter assistido a um show de Jackson. Só me lembro que a pessoa disse ter sido "a experiência". Até porque não tenho a menor dúvida de que ver e ouvir Jackson está na lista das melhores coisas que alguém pode fazer na vida.

25.5.05

A VINGANÇA DOS SHIT


Chris, aqui num flagrante "cara de dançarino de boy band", matou todos os nerds do universo de inveja.
*
Atendi ao chamado das ruas. Ontem venci o cansaço dos justos, reuni o lado bom da força e fui assistir à Vingança dos Sith. Não vou me demorar muito nos comentários, até porque George Lucas não merece que eu perca mais tempo com as presepadas dele. Algumas observações: 1) Assim como disse Bin-Laden-Jorge-de-Altinho-Geraldo-Equipadora, o chefe de Jarmeson, "Débora, você tem razão, o homem realmente estava bonito". O "homem" é Hayden Christensen, que está menos péssimo do que no filme anterior e incrivelmente macho e lindo com seu cabelo stroke. 2) Discordando de Miguel, hoje George Lucas não é um nerd genial, como foi nos anos 1970, é apenas um nerd com dinheiro na mão, sem o vendaval. 3) Sim, Fábio Araujedi, o episódio três é infinitamente superior aos dois primeiros, por isso ganha seis vírgula sete com louvor (momento para a voz de Aracy de Almeida no Show de Calouros). 4) A única boa e convincente atuação é a do nosso Obi-Ewan McGregor. 5) O que era aquele visual "Clara Nunes com Sandy" de Natalie Portman?!! 6) Por que aquela tonalidade 1970 da película (bem, mas disso eu gostei)?! 7) Por que raios George Lucas quis aparecer sorrateiramente no filme, se ninguém se importa com isso?! Eu, pelo menos, não! Já me bastaram os 15 títulos de Hitchcock que vi e me prestei a esse papel. 8) O que George Lucas vai fazer agora? Indiana Jones 4. É sério. Socorro. 9) Bem, no final das contas, me diverti assistindo à Vingança dos Sith. Mas eu não precisava ter visto uma importante cena, como a de Darth Vader sendo informado da morte da mulher, ser desperdiçada com aquele burocrático "não" e um corte brusco. Nããããããããããããooooooooo!!! Como disse muito bem Yellow, Jaime Monjardim teria feito melhor. Só que o problema, Amarelinho, seria a gente encarar Murilo Benício como Darth Vader. Socorro, mais uma vez.
*
DEU NA FOLHA: "Um homem com uma máscara de Darth Vader, o vilão do filme "Star Wars", se deixou levar pelo lado negro da força e assaltou uma sala de cinema em uma cidade norte-americana. A polícia de Springfield (Illinois) informou que ele entrou no cinema, empurrou um funcionário e depois fugiu levando o dinheiro da bilheteria. O valor não foi revelado, e a polícia não tem suspeitos do crime. Os policiais disseram que o ladrão não chegou a usar nenhuma arma no assalto. Nem um sabre de luz".

24.5.05


Lilo descortina-se como o fã número um de Dalto, na região Nordeste.


"YOU USED TO BE A STRANGER..."
*
Ah, as canções de amor... As músicas começaram a despontar na minha vida como canções de amor ainda no fatídico ano de 1982, quando digo fatídico me refiro à Copa da Espanha. Bem, era 1982, e o Brasil estava apaixonado por várias coisas. Três delas: o Laranjito, Zico e Muito Estranho. Era 1982, e todas as freqüências de rádio tocavam a música de Dalto, trilha da novela Sol de Verão. Eu, aos nove anos, recebia uma proposta de namoro de um colega da quarta série. Depois do corajoso "Sim, eu quero", o menino, sem avisar, inacreditavelmente partiu em turnê com a família numa viagem de férias. Duas semanas e meia depois, chega muito estranho, cheio de amor pra dar (nesse caso "amor pra dar" era pegar a minha mão, que ninguém dava beijo na boca aos nove anos, pelo menos, na minha época, não). Eu, revoltada com o desaparecimento súbito e não avisado da criatura, resumi todo o sofrimento passado: "Não quero mais. Tome o seu anel de volta" (aqueles anéis de plástico que vinham nos sacos de pipocas). Ele: "Mas, Débora!". Eu: "Está tudo acabado (baby blue)!". Eu que já havia amargado as duas (intermináveis) semanas e meia sem amor, sofrendo ao som de Muito Estranho, voltei à minha dor de cotovelo escutando o one hit wonder Dalto. Corta a cena. Ano passado, eleição municipal, ligo a TV, guia eleitoral, tá lá o meu ex, com o seu hoje porte de Danny de Vito, "Recife, vote em mim, meu número é...". Alguns minutos depois, recebo a ligação do candidato a vereador. "Débora, você vai votar em mim, né?!". Eu: "Não". A mesma resposta obteve da minha mãe, de quem enchia a paciência durante o curso de Direito na Unicap, que fizeram juntos no início dos anos 1990. "Minha sogra!" gritava, com toda força, nos corredores, se apresentando aos colegas em comum como o "primeiro namorado da filha dela". Minha mãe: "Eu mereço". Pois bem, esse pequeno introdutório serve como pretexto para listar algumas canções que se tornaram "de amor": Amor Perfeito (sim, com Roberto Carlos, nos anos 1980!!!), Toda forma de amor (Sim! Lulu Santos!!! E eu não me orgulho disso), Ain't no sunshine (em qualquer versão), The Air That I Breathe (The Hollies), Cruisin (não a original com Smokey Robinson, mas a versão com Huey Lewis e Gwyneth Paltrow), Satellite of Love e Money Pile. Hoje, tudo isso soa não muito, mas meio estranho...

19.5.05

BETTE DAVIS' EYES OU AS MINHAS MULHERES


Audrey, coisa mais linda do mundo, se chegar essa frente fria que tu tás esperando, a gente tá lascado.
*
Vamos falar de mulher. Até porque eu não agüento mais olhar a cara de Jack White. Vamos falar de mulher porque há meses baixei uma foto de Bette Davis e quero postá-la aqui por um bom motivo. Quando digo "vamos falar de mulher" não significa que vamos falar necessariamente das bonitas, mas daquelas pelas quais me apaixonei um dia junto com todos os cinéfilos do mundo. Quando assisti ao "A Malvada" (1950) fiquei louca por Bette. A primeira cena em que aparece, a grande atriz está de costas. Mas só a voz da criatura é a presença cênica em formato de som. Tem um momento que diz muito sobre sua aura, é a tomada da festa, que é simplesmente onde ocorre a primeira aparição de Marilyn Monroe no cinema. A futura diva aos 17, 18 anos, com beleza espetacular e semblante divino de uma Nossa Senhora, consegue ser ofuscada por Mrs. Davis, que toma para si a cena, apesar da desleal concorrência estética. Sem ter a mesma potencialidade de Bette Davis, temos Audrey. Reza a lenda que quando a atriz fazia o seu primeiro filme para Hollywood, A Princesa e o Plebeu (1953), e as primeiras películas que eram enviadas de Roma, onde o filme era rodado, começaram a chegar para serem reveladas nos Estados Unidos, os profissionais que faziam este serviço foram ficando cada vez mais passados ao ver a encantadora, a carismática menina. E não se falava em mais outra coisa a não ser naquilo que era Audrey Hepburn. Já assisti a muito filme com a atriz, inclusive os setentões, como Clarão nas Trevas e Charada, mas nada se compara aos títulos áureos, como A Princesa e o Plebeu e Sabrina. Linda! - seu rosto foi eleito o mais belo de toda a história do cinema. Audrey, por sua beleza e fascínio, não tem antes nem depois, embora na estréia de Diane Keaton esta tivesse sido apontada como a "nova Audrey". Mesmo sendo minha terceira paixão nas telas, Diane estava e está muito distante disso. Mas, por mim, todo ano, algum filme (ou vários) deveria incluí-la no elenco. Há dois anos, tiveram uma idéia genial, juntar seu carisma ao de Jack Nicholson (em "Alguém tem que ceder"). E onde estava Woody Allen, que não pensou nisso antes? Minha quarta e grande paixão foi Giulietta Masina, estrela de Noites de Cabíria. Chorei tanto que as lágrimas caiam de quatro em quatro na cena em que ela conta orgulhosa para a amiga que vai deixar de ser prostituta para enfim se casar. Repeti esse momento umas seis vezes. Interpretação de primeira. Realismo. Enfim, a quinta e última paixão. Uma paixão mundana, a bem da verdade. Julia Roberts. Assim como George Clooney tem muito de Cary Grant, Julia tem algo das atrizes comediantes dos anos dourados de Hollywood. Com magnetismo impressionante, mereceria ter sempre um excelente diretor a seu lado. Quando me apaixonei por ela? Em "O Casamento do Meu Melhor Amigo". Por favor, alguém teve a insensibilidade, a ousadia, o desplante, a coragem de não se apaixonar por Julia Roberts em "O Casamento de Meu Melhor Amigo"?


A FUDEROSA A maior atriz de todos os tempos em Hollywood!

17.5.05

JACK, THE RIPPER


Como todo mundo sabe, eu sou pobre. E, como todo pobre, tenho medo de ficar mais pobre do que sou. Por isto, estou reunindo coragem e os trocados espalhados pelas calças, bolsas e gavetas para ir a São Paulo, no início de junho. Como se sabe, agora sou tia e, como toda tia, tenho que conhecer meu sobrinho, o primeiro sobrinho. Como se sabe, gosto de música e, como quase toda pessoa que gosta de boa música, gosto do White Stripes. E, como se sabe, o White Stripes vai tocar dia 4 de junho, lá na cidade gerenciada por Serra. Enfim. Ontem, para esquentar os tamborins de todo esse clima alvirrubro (eca!), loquei o DVD da dupla, lançado há bem pouco tempo. O disco não tem extras, só o show, gravado na Inglaterra. Começa lapada e vai assim até o final. Jack White não dá espaço pra ninguém respirar. Muito menos ele. Vai emendando sem piedade uma música na outra. Isso durante uma hora e meia. Desfila alguns dos sucessos da banda, como Hotel Yorba e You're Pretting Good Looking e toca uns cinco covers. No final, são umas 34, 35, 36 músicas interpretadas (menos a minha preferida, a linda "I'm bound to pack it up"). Mas o que impressiona mesmo é o cara. O que é Jack White?! O guitarrista faz sol, faz calor, fecha e abre o tempo, a hora que quiser. No peito e na raça. Teles, José Teles, disse que Jack White é o Jimi Hendrix desta geração. Assistindo a esse DVD fica bem claro que o rapaz encosta, trisca, fica muito perto disso e isto é muita coisa. Concentrado e obsessivo com seus acordes e solos, Jack é a estrela, o bandleader sem banda. Se esse camarada tivesse um acompanhamento de peso, sua banda seria A Banda. Porque, sinceramente, Meg White é cool, como o irmão (e a pele extremamente branca e o cabelo extremamente preto até contribuem para essa imagem), mas destoa completamente do homem, fica muito aquém do talento musical do cidadão, atrapalhando, inclusive, a potencialidade de cada composição dele. E isso ficou muito mais claro pra mim, há um ano, quando o Metallica tocou ao vivo na MTV o hit Seven Nation Army, dando aquela sensação "essa música era pra soar assim". Espero que um dia, ele se toque e acabe com essa idiossincrasia e use mais vermelho e preto. P.S: Sinceramente? O estranho Jack White é tão bom. Que dá medo.


Prefeitura do Recife planeja trazer a dupla alvirrubra (mais uma vez, eca!) para um dos pólos do Carnaval Multicultural em 2006. Algumas das sugestões seriam o Pólo Nova Descoberta, o Pólo Água Fria ou o Pólo Várzea. Esta foto foi o flagrante de um show no Pátio do Carmo, no início da carreira.

16.5.05

"CORAÇÃO..."


Comentário nada a ver com nada. Ou melhor, a ver com a foto que tiraram dessas capas de discos que estão dispostas na sala do meu apartamento. O amor de John e Yoko pode ser o até hoje mais badalado, mas o de rocha mesmo fora o de Paul e Linda. Até a morte desta, eles nunca se separaram, enquanto John e Yoko tiveram um rompimento que durou um ano. E reza a lenda que nesse período nosso herói varreu metade de Nova Iorque. Só escapou Diane Keaton porque estava muito ocupada filmando com Woody Allen e tentando se livrar das investidas deste. Mas a despeito de toda música ruim que Yoko fez, tenho muito respeito por essa mulher por alguns motivos. O principal deles, a morte do marido. Quando li o relato de como a coisa toda realmente aconteceu e vi a foto dela desesperada sendo amparada por policiais ao sair do hospital com a notícia do falecimento, perdi qualquer vontade de falar mal da criatura, que ainda carrega o fardo de ser mãe de Sean Lennon. P.S: A minha parede precisa ser pintada! Alguém me acode!
*
Pra mim, banda é banda. Cantor solo é cantor solo. Veja bem, Chorão (sabe Chorão?) demitiu, sem justa causa, os integrantes do Charlie Brown Jr, o baterista (que eu não sei o nome), o baixista Champgion e o lindo guitarrista Marcão. Ai anunciou os nomes dos novos caras que vão tentar suporta-lo nos próximos shows e discos. O compositor-skatista disse: "Eles vão provar que são Charlie Brown". Hã?
*
Mal começou o clima junino, e já temos um hit que irá nos infernizar até o São João. Ele começa mais ou menos assim: "Coração, pára de se apaixonar...". Ao menor sinal dessa música, fuja. Fuja sem olhar pra trás e pra qualquer direção. Caso contrário, ela passará uma semana na sua cabeça. Quem avisa amigo é.
*
E por falar em "banda é banda, cantor solo é cantor solo", aqui segue um repeteco do diálogo envolvendo Humberto Gessinger e um amigo roqueiro.
AR - Opa, e aí?
HG - Beleza. E tu?
AR - Está sabendo que eu tô com uma banda nova bem legal?
HG - Não. Que bacana! Quem toca nela? Tem nome já?
AR - A banda se chama Pires!
HG - Escuta. Você tem que mudar esse nome. Pires não dá. Não pega bem como nome de grupo.
AR - Não, Pires não é sobrenome. É do verbo "pirar". Tipo "quero que tu pires". Não achou legal? (Humberto Gessinger, cuja banda sabemos o nome, faz uma careta)
*
Moral da história: A gente pode com isso?

13.5.05

OS LINDOS CONTRA-ATACAM


Eu gostaria de falar sobre os principais assuntos da semana (o final do casamento Ronaldo-Daniella e as tatuagens que serão removidas, a estréia solo de Sandy e como cantora séria, o aumento da conta de energia e as manifestações estudantis em frente à Celpe, a alvorada de fogos pelo centenário do Sport e as pessoas que não conseguiram dormir), mas desde que vi as fotos de A Vingança dos Sith, um tema não me sai da cabeça, Hayden Christensen. Assim como a metade do mundo, assisti aos dois primeiros títulos da segunda trilogia caça-níqueis de George Lucas e achei tudo uma grande bosta, todo aquele aparato técnico a serviço do nada. George Lucas teve uma brilhante idéia, financeira e artística, ganhar muito dinheiro contando o que se passou antes da primeira trilogia. Genial. Mas não soube fazer. Os personagens e os atores não aconteceram, os personagens novos não emplacaram e o principal e mais grave, o cineasta perdeu uma grande oportunidade: contar de forma decente a história de um dos mais marcantes vilões do cinema, Darth Vader. Chamou um ator sem presença cênica para interpretar o alma-sebosa e não criou um roteiro que pudesse dar suporte plausível a virada do bem para o mal do anticristo. O filme vai estrear em Cannes domingo (Lule Veras, o Cãonnes, estará lá!!!) e depois, para o resto da humanidade, na quarta-feira, acho, ou sexta. Enfim (não caí na histeria de comprar o ingresso antecipadamente). Tô a fim de ver esse filme, até porque o que li sobre ele dá conta que é infinitamente superior aos dois anteriores e fecha muito bem a saga iniciada em 1977. Vou ver não porque sou ardorosa fã da trilogia, mas porque curto cinema, ficção científica e aventura e o bafafá (mesmo sabendo que é meticulosamente criado pela indústria). Vou ver por tudo isso, mas também porque gosto de homem bonito (e quem não gosta?!). E o nosso Darth Vader cresceu e tá lindo demais nesse último capítulo. Quero aproveitar antes que ele vista a fantasia e ponha a máscara do Bloco da Maldade.

10.5.05

BONIPRESENTE


"Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem..."
*
Houve uma época no Brasil em que não se enterrava um cachorro sem antes saber a opinião de Caetano Veloso sobre a importância do animal para a cultura e a política nacional. Caetano opinava sobre tudo e sobre todos. Tinha sempre à mão uma frase de efeito a ser aspeada (não vou colocar aqui o famoso "ou não" dele porque já virou clichê). Pois bem, temos uma nova a respeito do Caetano internacional, Bono Vox, que tece opiniões sobre guerras, tragédias, eventos da natureza, crises econômicas, políticas, sociais e finados famosos (nas quatro últimas grandes mortes da música mundial, Ray Charles, George Harrison, Joey Ramone, Joe Strummer, li opiniões do vocalista do U2). Tipo assim, antes de qualquer reportagem sobre a morte de alguma importante personalidade ser publicada, os jornais esperam até o último instante pelo que Bono vai dizer e só assim as máquinas podem rodar com tranqüilidade e sensação do dever cumprido. Pois bem, depois de ter cortejado Lula em Davos, no ínicio deste ano, e ganhar mais páginas em revistas e jornais, Vox vai dar uma contribuição ao Governo de Todos. Gravará uma faixa do CD do "Fome Zero", que terá participação de vários artistas nacionais cantando Legião Urbana. No entanto, o vocalista vai entoar Another Brick in the Wall, com um desses corais de crianças carentes. Acho que ficaria bem melhor cantando Índios. Ah! E por falar em Another Brick in the Wall, gostaria de saber a quantas anda o processo dos ex-pirralhos que estão movendo ação contra o Pink Floyd por não terem recebido um tostão para cantar "Hey, teacher, leave these kids alone!!!". Pra mim, já tava valendo só o histórico fato do professor interromper a aula dizendo, "Ó, molecada, tem um grupo estranho no estúdio aí ao lado precisando da voz estridente de crianças. Eu sugeri vocês. Que acham?".

9.5.05


Ao longe, Florilton, o novo trintão, evolui na pista ao som de "Every time, i see you falling i get down on my knees and pray..."
*
Sábado passado, fui para, até agora, a melhor festa de 2005. Sim, o aniversário de Florilton e Ana Luíza foi tudo! A princípio, nós, os convidados, estávamos diante de duas possibilidades: uma grande farra ou uma grande roubada. Explico: a idéia original era que às dez horas da noite, as pessoas se encontrassem em frente ao Acaiaca, onde um ônibus partiria levando os passageiros para um lugar incerto e não-sabido e o povo só sairia desse lugar quando o ônibus retornasse às 5 da manhã para Recife. Ou seja, se o troço fosse ruim, todo mundo refém! Pois bem, quando subo no Magical Mistery Tour, não tinha mais lugar para sentar e já havia umas 15 pessoas em pé dispostas a começar logo a charanga. Preferi ir de carona com Janaina e Digo, que, aliás, tiveram a responsabilidade de levar os DJs da festa, eu e Rafael Pimenta (que, à propósito, fomos os ganhadores da festa de Jarbas em dezembro 2002, embolsando um cheque de mil reais cada. Yeah!). Pois bem, seguimos de carro atrás do ônibus, que parava a cada 15 minutos, com alguém descendo para um mijo ou uma cerveja na estrada. Uma hora e trinta e sete minutos depois, chegamos: Porto de Galinhas, Bar Bicho do Mato (na realidade, Bicha do Mato. Brincadeirinha...). Na chegada, encontro Leonardo Buggy e pergunto como fora a viagem do coletivo. Ele, erguendo as sobrancelhas por trás dos óculos de aro grosso, diz: "Manero, metade do ônibus tocava maracatu, metade Legião Urbana". Enfim, pulseirinha branca no braço, todos encheram a lata sem temer pelo amanhã. E tome New Order (essa foi a parte menos bicha do set list do DJ da casa e de nosso Rafa). Vou para o meu set (Uau! Que chique!), levando à tira-colo um DJ convidado, Ameaça Amarela. Mal começo a mecher (digo, mexer) nos discos, o dono do bar vem: "O povo não tá gostando desse som. O DJ da casa vai tocar, depois você coloca o seu som". Eu: "Depois, nada. Vou botar agora. Comecei, agora vou terminar". A pressão foi tamanha que passamos, eu e a Ameaça, apenas uns 29 minutos na cabine, até a volta de Rafinha, que sem piedade atacou com Festa no Apê, a original. E povo retribuiu colocando the hands in the air. Isso foi nessa pisada até o dia raiar. Momento mágico o sábado passado. Desses que valem a pena bichar e viver.

5.5.05


DA FIEL E DA FUZARCA - Eu sabia que, um dia, usaria (tá bom, rimou demais) aqui esta imagem, que é a de um dos meus maiores ídolos. Esta gracinha aí vem comemorar a estréia do meu primeiro sobrinho no mundo. Lucas, o paulistano, o rubro-negro, o corinthiano, mêu, nasceu nesta quarta-feira às nove e pouca da noite. Então (sotaque paulista), eu estava na afamada aula de bateria completamente desconcentrada, só pensando na minha irmã lá em Sumpaulo, dando tudo de si pra esse pirralho sair. No final, às 22h07, recebo a ligação da minha mãe, que está lá. Com voz de quem já tinha chorado dois baldes, diz: "O menino abriu o berreiro aqui e não pára mais de chorar. Não pode negar, é filho de Lidi". P.S.: Espero assistir aos Simpsons novamente ao lado de minha irmã e, agora, da querida nova companhia. Assinado: Tia Debbie (Ui! Será que eu vou ficar pra titia? Socorro!).

3.5.05


Ave Maria! Ao ler toda a polêmica no blog de Felipe sobre seriados, um tema veio à tona nos comentários do mulherio, nenhuma mulher perdoa Carrie por ter abandonado Aidan. Então me deu vontade de registrar aqui, pelo menos, uma foto do arrasa-quarteirão John Cobertt que encarna o "homem que todas merecem" em Sex and the City. Aí encontro essa, ele a cara de Nosso Senhor Jesus Cristo! Começo então desde já a campanha para a Paixão de Nova Jerusalem: John para Jesus em 2006!

IVETE SANGALO ME FEZ CHORAR


Domingo passado, depois da não-feijoada e da anti-cerveja na casa de Fabiana, em comemoração ao seu mestrado concluído, fui ao lar da minha mãe, acompanhada do amigo e mais-que-filósofo Zé Bé, ex-vizinho. Lá chegando, flagrei meu irmão assistindo ao mega-sucesso de vendas do (quase falido) mercado fonográfico nacional, o DVD MTV Ao Vivo de Ivete Sangalo (o troço ficou mais conhecido como a grande aparição das pernas, agora malhadas e bronzeadas da doida, que em início de carreira estava mais para Mortícia Adams do que para Luíza Brunet). Pois bem, vamos à questão do vergonhoso título acima, antes que me apedrejem. Pivete é canalha, é cafona, é maloqueira, é amiga da Rede Globo e canta um monte de música tchá-tchá-tchá-tchá. Mas no início do DVD rola aquele momento já tradicional nas filmagens de shows, aquela edição rápida de imagens da montagem do palco, do povo comprando ingresso, do público chegando ao estádio, da banda ensaiando, dos convidados nos camarins, até chegar ao show. A cantora e a banda dão as mãos e começam a rezar, meio como se fosse a Seleção Brasileira prestes a entrar no campo para a final da Copa. Aí ela vai se emocionando até chegar a hora em que sobe por um daqueles elevadores cafonas que eleva o artista até o palco. Ela está de olhos fechados, visivelmente com receio da multidão (mais de 80 mil pessoas, contando com arquibancada e gramado) que grita seu nome. Quando a mulher começa a cantar o primeiro hit da banda Eva, o da "pequena Eva", engasga a letra. Ela fecha os olhos cheios de lágrimas e abre um sorriso de agradecimento, que foi uma das imagens mais sublimes que já vi num artista. É aquele breve instante em que o profissional percebe que encontra-se no auge e agradece a Deus silenciosamente por ter conseguido o que queria. Sei que Mick Jagger, Elton John, Paul McCartney e tantos outros um dia sentiram isso que Pivete sentiu diante de uma platéia gigantesca cantando sua música, mas não lembro de ter visto esse flagrante. Assistindo a toda a garra no palco, como se fosse um Ronaldinho Gaúcho fazendo e comemorando diversos gols, a gente reflete: se Ivete Sangalo pode fazer tudo aquilo, a gente pode fazer coisas até mais difíceis (muitas vezes chatas e solitárias) e de vez em quando ter, sentir, conseguir e agradecer o poder de concluir coisas, como por exemplo, um mestrado. Viva à não-arte!