UNIVERSO DAS COISINHAS

28.4.05

NA LUA COM BAQUETAS


O querido, finado e doidinho Keith que tocava feito criança
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Há muito tempo atrás, tive curiosidade a respeito desses "grupos de maracatu de branco", mas aí o fogo baixou. Há dois meses, uma amiga me convidou para entrar com ela em um deles. Entrei, mas mais por conta dela. Corta a cena: Primeiro dia de aula, tum dum dum dum dum. Primeiro e último dia de aula. Pra ela. A mulher me abandona e entra numa especialização de moda, a primeira do Recife, na UFPE. Certa! Continuo com o negócio, tum dum dum dum dum dum. Mas desde o início, ao pegar nas baquetas, uma idéia me perseguia: tocar caixa e, mais adiante, bateria. Passei quase dois meses com isso na cabeça. Enchi o saco de algumas pessoas, uma delas, Charles (A Roda), até finalmente conseguir o professor. Depois de todo o processo, enfim, a primeira aula. Quando vi o troço todo na minha frente, fiz de conta que não era comigo e lembrei de uma frase que Adelson Luna (ex-baterista do Querosene Jacaré) me disse tempo atrás: "O povo pensa que tocar bateria é fácil, um braço faz uma coisa, o outro faz outra, uma perna faz uma coisa, a outra, outra, e tudo isso tem que soar bem". Pois bem, fazem, precisamente, mais de 14 horas que estou sob o efeito da bicha. Só penso em voltar a encarar o bombo, o chimbau, os pratos, a caixa, o surdo... Ontem, meu professor teceu a pergunta que me fez literalmente não conseguir dormir direito: "Essa é a primeira vez que você toca bateria?! Tá muito bom e olhe que já dei aula pra muito marmanjo". Numa brincadeira, disse pra ele que, com as aulas, eu queria ter um resultado que soasse como algo entre Neil Peart, Keith Moon, Gene Krupa e Meg White (dela só a coisa cool, na realidade). Mas, pelo que senti, com mais duas semanas de baquetas, já posso, pelo menos, falar com Jack e, aproveitando o show que a dupla fará em São Paulo, seguir em turnê apenas com ele. Bem, isso tudo certamente não vai me levar a nada, assim como o jornalismo, as partidas de dominó e os DVDs, livros e CDs que compro em supostas promoções, mas tá me deixando feliz pra dedéu (ainda se usa dedéu?). Subscrevo-me: Débora Moon.

25.4.05

31 CANÇÕES - PARTE 1


Pra entrar no clima da minha mais recente leitura, 31 Canções, aqui dou uma de Nick Hornby dos Pobres e faço a minha lista, sem fazer ao modo dos luxuosos ensaios do inglês pop. Aqui segue a primeira parte dela:
1. Wives and Lovers - Ella Fitzgerald - Uma das mais fantásticas interpretações da diva de voz de garotinha. A cereja: quando ela repete maravilhosamente a frase "Time to get ready for love". Eu aconselho.
2. You're Gonna Walk (Don't Look Back) - Peter Tosh - O rastaman tinha algo em sua voz que faltava em Bob Marley, o autêntico timbre de negão. O poder. Toda vez que ouço essa música alguma coisa boa acontece comigo. Vou comprar o Pernambuco da Sorte...
3. Karma Police - Radiohead - Da incensada obra-prima Ok, Computer. Se há um trecho na história da música que exprime sofrimento, dor e desesperança com propriedade é o "I lost myself" de Thomas Yorke. Sinistra e linda.
4. Futuros Amantes - Chico Buarque - O passar do tempo fez muito bem a nosso Chico. A refinada poesia desta canção é a prova: complexa criação de imagens e sarcasmo sobre a espera inútil por um amor.
5. Bad Cover Version - Pulp - Quando você se lasca todinho é quando você está verdadeira e novamente apaixonado, esta é mais ou menos a mensagem. A canção faz parte do discaço We Love Life, um dos meus bens mais valiosos.
6. Greak Song - Rufus Wainwright - Do CD Poses, do qual Nick Hornby tirou a canção One Man Guy para falar no livro. A harmonia que o afetado "Cole Porter da nova geração" consegue criar não é pra qualquer um. Não mesmo.
7. And your bird can sing - Beatles - A guitarra dobrada dessa canção faz qualquer um querer ter sido jovem em plenos anos 1960, acreditando num mundo melhor em que John Lennon estivesse eternamente vivo.
8. Passenger Side - Wilco - Dá vontade de querer ser cowboy, cowgirl, de estar numa caminhonete, bebendo uma cerveja em lata numa highway, numa tarde de céu alaranjado. Só não no banco do passageiro.
9. Money Pile - Badminton - Fiz uma versão "bossa nova assassina pra gringo ver" presse clássico de Felipe. Um dos melhores desta geração recifense, o minino tem um segredo: décadas de rock no ouvido e literatura na cabeça. Além de uma boa mistura de Wilco, Teenage Fanclub e Pixies.
10. João Sabino - Gilberto Gil - O baiano diz que seus grandes discos são os ao vivo. E com razão. Essa música, do início dos anos 1970, é uma piração só, ele já influenciado pelo violão de Jorge Ben. A letra parece sem nexo, mas tem um sentido incrível a ser descoberto.
11. Ball and Chain - Van Morrison - O fenomenal disco dessa música, Too Long in Exile, tem algo de uma noite solitária, reflexiva e existencialista e uma garrafa de cana no meio. Esse homem é o que se pode chamar de tudo.
12. Waiting in Vain - Bob Marley - Roberto resumiu, nessa que é uma de suas mais sensíveis canções de amor, toda a ópera que é estar apaixonado e aguardar religiosamente por um sinal. Dor-de-cotovelo de primeira.
13. Guns of Brixton - Clash - Tenho essa música também no ao vivo From Here to Eternity. Não gosto de escutar platéia em disco, mas nessa fico me imaginando no meio do povo que grita ensandecido ao escutar o finado Strummer anunciar a canção.

18.4.05

AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR...


Esta foto encontrei no site dos Jesus Freaks, um bando de cristãos alemães (ô, povinho estranho!) que curte rock, doideira e, logicamente, Jesus. Este é o flagrante do abraço mais-que-amigo entre o irmão caçula de Geddy Lee e Rodrigo Amarante.
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Luxo o camarote da Claro. O melhor do Abril Pro Rock. Valeu, Vrinho! Valeu, Morales!
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O MSN deveria ampliar as configurações pessoais do Messenger, que atualmente são apenas Online, Ocupado, Volto Logo, Ao telefone, Em horário de almoço e Offline, para:
1) Vou babar o chefe e já volto.
2) Vou fazer de conta que estou trabalhando e retorno em breve.
3) Vou trocar o absorvente e volto em 17 minutos.
4) Ocupado (com o quê?)
5) Peraê!
6) Ao telefone (da empresa com a namorada).
7) Em horário da cerveja.
8) Meu chefe acabou de passar, vou fechar a conversa, daqui a pouquinho volto. Segura aí.

14.4.05

TONY MANERO, ORKUT, DEUS, BEE GEES, O DELAY E O SAMBA DO CRIOULO DOIDO


Esta foto não tem nada a ver com o texto, mas é só pra registrar o chão onde Tony Manero deu tudo de si ao som de "More than a woman, more than a woman to me..." e tantos outros clássicos dos Bee Gees.
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Adiantei aqui, a alguns posts atrás, que começo a entrar, a fuçar, a investigar, a me meter nas coisas, quando elas já estão perto de perder a graça. Finalmente, após dezenas de convites (o primeiro foi em abril ou maio do ano passado e veio de minha amiga Cristejo), entrei no orkut, anteontem - e a minha habilidade com o esquema ainda caminha a passos curtos e lentos, mais que o meu computador, que avisa, "bad server, not for you". Enquanto isso, "baixei" o meu primeiro disco (Libertines) no domingo passado e o evento se deu na casa da minha mãe. Abri um sorriso que poderia ser amarrado com um laço atrás da cabeça. Satisfação pelo crime virtual e em nome de um mundo melhor para meus tímpanos. Pois bem, espero que esse delay (esse sanduíche-íche) se dê também quando chegar a minha hora, que deve ser lá pra frente. Uma vez, um grande amigo meu, que é espírita, líder espiritual e o escambau, me fez o favor de dizer que eu iria morrer jovem, pero no mucho (não sei exatamente o que ele quis dizer com isso). Uruhhhu!! Yeah! Mas, até lá, devo aprontar muito (ou não?). Ele disse, que antes disso, eu faria algumas coisas muito especiais na vida, entre elas, um filho (Hummm...). Isso é bom ou ruim? Bom, não quero ficar falando nessas coisas sinistras. Mas, tive em 1991, um passamento, um encosto com a morte, que me fez meio que perder o medo dela. Tomei uma pôrra de uma injeção que quase me fez partir desta pra melhor. E eu sabia que tava morrendo enquanto quase morria. Assim que a enfermeira aplicou a Benzetacil (que eu tomei a cada 20 dias durante seis anos), o meu corpo inteiro travou, só deu tempo de dizer um "socorro" quase inaudível para a moça (minha elegância me salvou de dizer um "fudeu"). Em seguida, instantaneamente, enviei uma mensagem para algum anjo que estivesse dando sopa pela área de Casa Amarela naquela hora: "Eu sei que vou morrer agora nessa joça, mas não quero morrer agora, pô. Tenho isso, isso, isso e mais isso pra fazer". É sério. A coisa passou (o médico disse, "Um em mil escapa"). E depois desse momento "The Needle and the Damage Done", pensei, "Cacete! É muito fácil morrer!". De repente você tá ali e depois não tá!". Isso é uma palhaçada divina, né? A gente se lasca de trabalhar, de engolir os maiores sapos do mundo, de todos os lados, todos os dias, aí simplesmente, puft! O pior de tudo é que a gente sabe disso. O ser humano é o único ser que tem consciência da morte, e daí toda a merda se dá, doidamente falando. Daí as neuroses, as pirações, os crimes, os surtos, os porres, os ataques e as depressões. Tem um amigo meu que se diz ateu, mas está tomando remédio pra deprê e diz que tem pavor de morrer. Eu só acredito em ateu que não tem medo de morrer. Se você é ateu e tem medo de morrer, então comece a se agarrar logo com a Virgem, o terço, a Cruz, Jesus Cristo, Pai Edu e/ou o Dalai Lama. A pessoa tira onda, tira chinfra de ateu em mesa de bar e à noite se agarra ao travesseiro com medo de partir desta pra melhor?! Ah, me poupe! O ser humano realmente se dá muita importância! A nossa maior pretensão é abrirmos uma pôrra de uma agenda e nos programarmos para as próximas semanas, meses, anos, quando poderemos simplesmente morrer na esquina adiante, morrer bonito, morrer geral. Por isso, quando nós pisarmos na próxima formiga, vamos nos lembrar de que somos ao mesmo tempo Deus e a formiga e que o orkut dá muito trabalho. Pensando bem... que saco seria viver pra sempre!

11.4.05

ELE, O MESTRE SUPREMO


Caros intelectuais, vocês (digo esse "vocês" para criar uma atmosfera pomposa para este texto. Não estou chamando os amigos que lêem este blog de intelectuais. Chega de ofensas gratuitas neste mundo cruel), vocês podem até tentar, mas no Brasil hoje só existe um gênio: Millôr. Certa vez, Nelson Rodrigues escreveu que no país só existia um gênio, Gilberto Freyre, Gilberto Freyre, Gilberto Freyre. Escreveu assim, três vezes, exageradamente como sabia ser. Se me perguntassem quem seria o maior gênio do Brasil, responderia três vezes o nome Millôr. A minha paixão pelo Filósofo do Meyer, pelo inventor do frescobol, foi despertada em 1991, quando lia a coluna do cidadão na Veja. Recortava as páginas dele e guardava em pastas (aquelas de escritório). Logicamente, esse material se perdeu com o tempo, com as mudanças (de casa), mas o amor ficou. Comprei, há 300 anos, a "Bíblia do Caos" (tenho a versão de bolso também), que encaro como Bíblia mesmo (foi mal aê, Deus), tal a sabedoria das frases irônicas, sarcásticas, céticas, cênicas e cínicas. Um dos meus grandes desejos é, um dia, poder chegar frente a frente com Millôr, não desmaiar, e dizer, "Millôr, eu te amo". Sei que ele teria uma resposta bem-humorada e extremamente inteligente para esse gesto aparentemente descabido. Mas seria um item a mais para eu, um dia, talvez, morrer com a sensação do dever cumprido. A propósito, Millôr não pode morrer nunca! ("Estou escrevendo minha autobiografia. Mas ainda não decidi se vou morrer no fim"). Millôr é Deus.
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Aqui cito algumas frases do mestre:
"O amanhecer é o preço que o boêmio paga por viver no sistema solar"
"O bêbado é o subconsciente do abstêmio"
"O autodidata é o único sujeito que não pretende saber mais que o professor"
"A anedota é o espírito prêt-à-porter"
"A alegria do que ainda não veio dói muito mais que a tristeza do que foi"
"O adultério é o mercado negro do orgasmo"
"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos muito bem"
"Baco é um deus inventado pelos bêbados"
"Bahia: a maior agência de publicidade do mundo"
"Quando um quer, dois brigam"
"O pior ano na vida de casado é este"
"Quando você chega em casa de madrugada e sua mulher nem reclama é porque já é tarde demais"
"Chato é o cara que conta tudo tintin por tintin e ainda entra em detalhes"
"Eterno em amor tem o mesmo sentido que permanente no cabelo"
"Por que será que todas as pessoas de bom senso pensam como nós?"
"A ociosidade é mãe de todos os vices"
"Morte súbita é aquela em que o sujeito morre sem o auxílio dos médicos"
"Moda é tudo que passa de moda"
"O casamento chama-se matrimônio porque aparentemente só a mulher se casa"
"O pôr-do-sol é a grande inveja da galinha megalomaníaca"

5.4.05


Enquanto arranjo tempo nesta semana para postar um post (adoro esse "postar um post") decente, aqui segue o famoso flagrante do derrame de cerveja, promovido diariamente pelos nossos amigos strokes (mais do mesmo). Notem as garrafas de Brahma, antes mesmo da cerveja querer invadir o mundo como uma Coca-Cola etílica do submundo. Pelo ambiente amoquifado da foto, acho que esse povo tava no Garagem...A propósito, o que é o Garagem, hein? Nesta semana, li uma chamada num jornal local que anunciava com pompa "Tal banda lança... (não sei o quê, DVD, CD, fita-demo, pôster, sei lá) no Garagem". O leitor desavisado não imagina do que se trata esse local amundiçado e insalubre. Uma noite, passei de carro com uma amiga, aí disse, "...aqui no Garagem...". Ela: "Garagem, onde? Onde é esse bar que eu não tô vendo?" Eu: "É aí!" Ela: "Onde?" - "Aí!" Ela: "Isso aí?! Pensei que o nome fosse só uma brincadeira...". Ela achou que fosse algo como Fiteiro ou Boteco, onde você não encontra o que o nome sugere. No caso do Garagem, é meio como se o bar se chamasse Chiqueiro, e você chegando lá encontrasse os porcos e as galinhas vagando livre e divertidamente por entre as mesas. Sugiro, assim, ao dono do Garagem, o bonitinho mala, que radicalize e alopre de vez colocando os mecânicos para consertar carros, motos, bicicletas, enquanto rolam os "concertos" de bandas alternativas e enquanto o povo enche a caveira de cachaça, mais ou menos como aquelas noites performáticas dos anos 70. Mais ou menos como o Drink no Inferno dos Indies. P.S.: Nelson Rodrigues fez, certa vez, uma homenagem espantosa a um amigo num título de uma de suas peças: "Bonitinha Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende". Eu sugeriria, "Bar Garagem ou Fabiana Black Moraes". E, do me a favor, quem, com exceção dos indies (incluindo Jarmeson Molotov), ousar dizer que experimentou o Garagem antes dela, que vá beber num lugar mais "limpinho"! A não ser que esse ousado e insolente seja um Julian, um Fabrizio Moretti...

1.4.05


Olha o nosso garoto aí! Deus te abençoe, neném... "Leave me alone, i'm control, i'm control.."