UNIVERSO DAS COISINHAS

28.1.05

NA ACADEMIA PERNAMBUCANA DO LION (APL)


MANGÜAÇAS IMORTAIS: Isso no Ibura é mais conhecido como "formação de quadrilha".

27.1.05

"CORTARAM MINHA LUZ"
(Pagode baseado em fatos reais)

Ontem marquei um encontro com meu amor
Quanta alegria, cheiro de pétala em flor
Mas um triste erro banhou de noite o meu apê
Cortaram minha luz, não soube o que o fazer

(Refrão)
Já paguei as contas, juro perante a Cruz
Devolvam minha energia, minha alegria
Liguem minha luz
Já pedi aos Céus e ao nosso Bom Jesus
Chega de brêu e tanta agonia
Liguem minha luz

Tudo que era doce, amargo se tornou
Pois neste verão em tempo de calor
Não há paixão que resista a muito suor
Chega de sofrer, tudo podia ser pior

(Refrão)
Já paguei as contas, juro perante a Cruz
Devolvam minha energia e minha alegria
Liguem minha luz
Fiz este pagode, qual a Arlindo Cruz
Para que neste clamor, ainda de dia
Liguem minha luz

GRANDES LÁPIDES DA HUMANIDADE

Musa inspiradora Fab Moretti, aqui segue a lista sugerida:

1. “Já perdi muita coisa nesta vida. Mas o show dos Strokes não!”. Morales, que, a esta altura do campeonato, já teria assistido a dois shows da banda. Um, em Nova Iorque, em 2006; outro no Geraldão, 15 anos após o fim do grupo, numa turnê caça-níquel, promovida pelo baterista Fab Moretti depois da morte de Julian Casablancas por cirrose.


2. "Que o céu seja um lugar do caralho!". Cláudio Assis

3. “Olha lá, hein?” Flavão, o “Aguardente Hero” de Muriba.

4. “Fui o looser e o pedófilo que deu certo”. Woody Allen, morto aos 112 anos.

5. “O mundo precisava de paz e não daquela minha bunda feia na capa do Two Virgins”, Yoko Ono, após 20 vernissages beneficentes ao redor do planeta e de uma participação, aos 80 anos, num disco de uma banda eletro-retrô-minimalista-punk alemã. Ou simplesmente sua lápide teria: "Eu não acabei os Beatles!!!"

6. “Não fui tão genial quanto meu pai, mas, pelo menos, não morri jovem e assassinado e pude desfrutar da herança daquele maldito” Sean Lennon, após ter vendido 50 mil cópias, somando todos os seus 15 CDs.

7. “Happiness is a warm gun”, Mark Chapman (Fêla-da-puta!!! Desgraçado!!!)

8. “Agora morri de verdade”. Paul McCartney, morto após ser considerado o homem mais rico e velho do mundo, depois da morte de Bill Gates por tédio crônico.

9. “Chega de saudade!”. João Gilberto, morto de doidice após um chilique no Carneggie Hall, onde jogou o violão na platéia atingindo a cabeça de David Byrne, com Mal de Parkinson.

10. “Chega de frescura! Fui!”. Clodovil

11. “Estive certa!” . Patti “Amorim” Smith

12. “Do pó vim, no pó estou. Yeah!”, Keith Richards, morto de velhice na enésima turnê dos Stones em que deu finalmente um bofete certeiro na cara de Mick Jagger.

13. “Estive na hora e no lugar certo”. Ringo Starr.

14. “Deus, nunca pensei que fosse morrer”. Cid Moreira

15. “Deixa a morte me levar”. Zeca Pagodinho.

16. “Se não tem Playboy no céu, o que é que eu vou fazer lá?”, Luma de Oliveira, cujo velório teve a presença de três baterias de escola de samba.

17. “Preciso falar com Chico para lançar o Abril Pro Rock do Céu e espero que todos os jornalistas estejam no inferno!”. Paulo André, antes de descobrir que todos os produtores culturais também estão no inferno, junto com advogados, taxistas, locutores de rádio, publicitários, estilistas, médicos e arte-educadores.

18. “Pô, brother. Pode crer, maluco, morri”. Felipe Podreira

19. "Confesso. Entrei naqueles sites", Pete Townshend.

20. “Quem eu vou encher o saco no céu?”. Fabão (no mesmo dia de sua morte, na porta do Céu, São Pedro olha o Lapa de cima a baixo e diz: “O quê?! Aqui não!!! Nós vimos tudo o que seus amigos passaram, meu filho! Aqui não! Pega o beco! Circulando! Circulando!”

26.1.05

FULL METAL SMILE - NASCIDA PARA SORRIR


Atendendo a pedidos do Irmão Araújo, uma legenda um pouco mais explicativa. Mafaldinha, Guidinha, Tia Gio e Yo (no sentido horário), no aniversário de Gio, onde me engasguei com um pedaço de bolo que ficou preso no meu aparelho. Mas, calma, após as refeições eu escovo tudo direitinho. Eu sou pobre, mas sou limpinha.
*
Dizem que tudo na vida tem sua hora certa. Ao contrário do que reza a sabedoria da vovó, frequentemente escolho como "hora certa" alguns dias, meses ou anos depois. Como se vê (ao longe na foto, ufa!), estou a exibir um belo aparelho nos dentes. Que, agora, já me deu um refresco. Mas, em seu primeiro mês, o instrumento de tortura me fez conviver também com uma bexiguenta cirurgia na gengiva, uma obturação dos infernos, uma inflamação do cão e cortes a esmo na parede da boca. Para ser exata, havia vários pontos de dor: os já citados, o aparelho em si e a minha triste alma errante. Encarei como uma provação divina e profana, como futuros pontos de bônus no Juízo Final. Pode crer que, com toda essa parafernália, meus problemas subitamente acabaram (!!!). Eu só pensava nele, no maldito aparelho. O dentista disse que no final do ano ou no Carnaval de 2006, estourando, vai tirar o bicho. Desconfio de que não vou sentir a menor saudade dessa época "full metal smile". E, daqui a muitos anos, na "hora certa", por favor, na minha lápide deve estar escrito: "Na vida, só me arrependo de duas coisas: de não ter colocado aparelho aos 13 anos e da ressaca de 1991".
Posted by Hello

25.1.05

GARANTA JÁ O SEU!!!


Gosto de ver assim: profissionais com uma superestrutura para realizarem muito bem o seu trabalho. Vejamos o caso da festejada fotógrafa Alci, a nossa Sebastiana Salgada. Não sai jamais para o ofício diário nas ruas sem estar devidamente munida de sua bat-pochete, com filmes, filtros, lentes, fivelinhas, barras de cereal e um Fotografation Tripé-Human Basic, que pode ser facilmente montado e armado em qualquer cobertura jornalística. As demais fotógrafas que por ventura não possuem o kit completo podem ou morrer de inveja ou fazer a reivindicação ao Sindicato. Esta foto me lembrou um velho samba-bolero: "Faz de mim teu pequeno brinquedo querendo brincar...".
Posted by Hello

24.1.05


Ivete Ramone is a punk rocker now!!! Posted by Hello
HEY! HO! LET'S GO, POEIRA!
Dizem que com o passar do tempo o ser humano perde a capacidade de se surpreender. Como minha hora ainda não chegou, a cada passeio que dou nos noticiários algo sempre me assusta. Semana passada, algumas notícias assombraram. A dos bombeiros que foram apagar um incêndio e acabaram assaltados no meio do silviço (!). A de Carlos Bilardo e Maradona, que confirmaram o uso do sonífero na água da Seleção Brasileira na Copa de 1990 (!). A dos dubladores dos Simpsons, que ameaçam entrar em greve (o ator latino que faz a voz de Homer há quinze anos recebe US$ 60,00 enquanto o norte-americano ganha US$ 200 mil!!!). A de Britney Spears fazendo “air guitar” no novo clipe (!). A de Ivete Sangalo vestida, na capa da Capricho, com a camisa “Rock’n’Roll High School”, dos Ramones (!). Disso tudo, uma conclusão não surpreendente: tem fêla-da-puta demais no mundo.
*
Sábado fui assistir a Closer, o badalado novo filme em cartaz na cidade. O bafafá todo gira em torno de duas coisas: o sucesso da peça original e o strip-tease de Natalie Portman, que, na realidade, não acontece. Apesar de todo o hype, Perto Demais não é a pílula que matou Elvis. Tem final diferente do texto original e fica sonolento em certas cenas. No entanto, guarda um dos mais lindos inícios de filme. Pode crer. Quem não estiver apaixonado, corre o risco de se apaixonar pelo “stranger” que estiver ao lado durante a sessão. Portanto, muito cuidado nessa hora.

20.1.05

OLHA A GI AÍ, GENTE!!! CHORA CAVACO!!!


Flagrante do momento em que o fã Phelipe Daniele joga a carta com 13 milhões de "Eu te amo!" para a modelo e manequim pôdi de rica. Posted by Hello
*
Por Fabshion
SUMPAULO - Meninos, eu vi. É impressionante a comoção que Gisele Bundchen causa no povo. A sala da Triton estava lotada até as paredes, o povo se acotovelando, gritos, histeria, horror. Os fotógrafos se estapeando, o pessoal disputando uma cadeirinha (eu estava lá, linda, na minha, só olhando o inferno de Dante). Sinceramente, nao tenho muito saco para isso, reclamei até, mas aí Phelipe Rodrigues, do Diário, que me acompanha nessa jornada de lágrimas e glamour, disse uma verdade: "fá, ela deixou de ser modelo, é uma celebridade. É assim mesmo...". Ele tá certo. Well, toda vez que a moça aparecia (foram três vezes), o povo aplaudia. E ela rindo, trá-lá-lá, "eu sou linda, eu sou linda, linda de marré-dê-cê". E é mesmo. Aí, veio o momento É AMOR. Um fã, chamado Fernando da Silva, que tem a moça tatuada no peito, joga na passarela uma carta enorme onde escreveu centenas de 'Eu te amo'. Ela pegou a carta e saiu desfilando, para delírio do rapaz, que deve passar o resto de 2005 sem dormir. Ele cuidado pra nao levar umas porradas de De Caprio. Principalmente se o rapaz tomou umas canas... Falando em cana (Deb pediu pra q eu nao escrevesse muito, mas eu NAO CONSIGO), A 51, Pirassununga, é patrocinadora oficial do evento. Isso significa: tome cana! nunca achei q cachaça fosse ficar fashion, mas, para horror da Cafuçulândia, agora é. Eu já tinha ido pra uma festa no Fashion Rio patrocinada por uma cachaça q foi tudo de bom (eles tacavam caju, morango, o escabau na aguardente). Não deixa de ser engraçado ver o champanhe tradicional sendo substituido pela maldita. Tem até uma garrafinha que mandaram lá no meu quarto do hotel, que eu botei no frigobar para resolver se tomo depois (isso vai depender da cobertura aqui: se eu não gostar das tendências do próximo inverno, tomo todinha. É demais suportar tanta dor). Vou indo. Rosa Chá, Fause Haten, Zoomp e Ellus me esperam. E Cicarelli vai aparecer. E vou passar por toda histeria, sangue, lágrimas e cotoveladas de novo...

19.1.05

EXCLUSIVO: É NÓS NA FECHION UIQUI!!!


GLAMOUR ILIMITADO: Fabshion, enviada especial do BomTom ao SPFU, deu uma passadinha no backstage da maior amostração de moda de todo o país, também vestida de rosa-Mangueira, para o efusivo abraço na amiga e confidente Gi, a moça mais sorridente da foto e o cachê mais fuderoso do evento, "encarecendo" todas as roupas das marcas para as quais desfilar.
*
Por Fabshion
Não existe coisa mais engraçada do que o circo da moda, e, sem dúvida, o São Paulo Fashion Week é o maior dele no País. Agora mesmo escrevo correndo para ver o próximo desfile (Alexandre Herchcovitch, parte feminina). Isso significa que sai correndo do desfile q acaba de acabar (Ronalgo Fraga), que teve a presença gostosíssima de um clone de Rodrigo Santoro (que tava vestido demais para meus instintos femininos). Mas, ok, vá lá: desfile bonito onde a gente ia ouvindo "E Agora José" e "O Quatrilho" (pq Fraga homenageou, lindamente, Drummond de Andrade). E sair correndo de um desfile significa sair correndo ao lado de dezenas de cinegrafistas, gente de salto alto, gente de óculos enormes, cabelos incríveis e outros totalmente desnecessários. Significa também levar cotovelada e quando não uma porrada de alguma câmera na cabeça. E é engraçado o pânico geral que se instala , todo mundo quer pegar um computador primeiro. E eu tô aqui de pirraça, pq trouxe o laptop do jornal. Bicha ruuuuuuim!!!!!!!!!!! Agora, vou embora, pensando que tenho q comprar um vestido rosa meio longo repleto de paetês pequenininhos, delicados, parece um sonho bom (pq sonho ruim tem outro nome: pesadelo). um vestido Drummond de Andrade. Agora, um drops para Débora: Cazé estava na primeira fila e eu continuo achando ele um lindo! E ganhei um chapéu nesse ultimo desfile q parece aqueles de funcionário público, bem os caras q o Drummond falava, q ficavam em suas repartições sonhando com a mulher amada e a proxima desilusão... E eu, cara Deb, pensei cá comigo: temos q marcar, no Gordo, um encontro Palhares, Siqueira, Nestor, Pedrosa e, claro Epaminondas... agora, um beijo: o glamour me espera. E as cotoveladas também.

17.1.05

"...UM PASSO PR'UMA ARMADILHA"

Uma das frases mais engraçadas que já escutei em letra de música: “Que bom que eu não amo ninguém”. A “pérola” é da Jason, banda de punk rock encabeçada pelo maluco doidão Rafael, o ex-pirralho que descobriu os Mamonas Assassinas. Além do escracho, a frase guarda uma triste realidade, o pensamento de que amar é sofrer. Além do risco de sofrer, amar é também ter trabalho. Você não pode simplesmente acordar e despertar para o amor como se fosse tomar um copo d’água. O amor requer energia e disposição para coisas que estão além de somente amar. Nelson, o grande Nelson, tem um livro intitulado “É impossível amar e ser feliz ao mesmo tempo”, no qual estão reunidos os mais absurdos conselhos amorosos que respondiam às mais atrozes dúvidas de donas de casas insatisfeitas, namoradas entediadas, noivas desesperadas, solteironas aflitas, viúvas alegres e virgens suicidas. Nessas “consultas sentimentais” publicadas em jornal, o escritor sempre reforçava a tese de que o ser humano só atinge a felicidade no amor. O “tarado” genial, como estudioso do comportamento humano, sabia decifrar as mais intrigantes conexões de palavras, ações e conclusões. Eu, como uma fiel rodrigueana, posso dar o seguinte testemunho: em todas as pessoas que conheço só encontro o sorriso autêntico naquelas que estão verdadeiramente apaixonadas. Vejamos o caso de uma velha amiga que redescobriu, há alguns anos, o amor com um cidadão de outro estado. Antes ressentida contra o mundo, hoje é a imagem da satisfação. Não há ataque terrorista, guerra, índices de violência e desemprego, falências de bancos e planos de saúde, troca de governantes e cara feia do chefe que modifiquem seu semblante zen e cheio de poder. Retirem dela seu amor e novamente a encontrarão errante pelo Vale das Sombras. O que nos remete à lenda de que Zeus como castigo dividiu o ser humano em duas partes distintas. E as dispôs em lugares desconhecidos pelas duas “metades”. A partir daí, sozinha, cada uma passou a ter como grande busca essa esperada plenitude. Como se isso não bastasse, quiseram os deuses que esse mesmo ser também tivesse que procurar um emprego que pudesse sustentar essa “temporada de caça”. E assim, não somente nasceram as eternas canções de amor, como os bebês, os advogados e toda a indústria da moda, do cigarro, do álcool, dos comésticos e também a especulação imobiliária.

13.1.05


O Fatnômeno convidou Fatboy Slim para dar uma "animadinha" na sua festa de casamento, o segundo grande evento de fevereiro. Posted by Hello

TÔ ME GUARDANDO PRA QUANDO O CARNAVAL PASSAR...

Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Talvez seja. Mas no caso dessas festas coletivas, esperar é um super-teste de paciência. Vejam o famigerado caso do Natal. Desde o final de outubro, você começa a escutar nas lojas o blim-blim-blim-blim das versões instrumentais das canções natalinas e quando finalmente chega o dia você já está por aqui de toda essa atmosfera.

Agora é a vez do Carnaval. Já na madrugada do dia 1º, a TV começou a bombardear cabrochas e passistas por todos os lados - é por essas e outras que, há três meses, não assisto mais à televisão, e estou mais feliz assim, usando o aparelho de TV apenas como “tocador de CD” e como suporte para assistir DVD.

Mas, falemos do Carnaval. Acho que estou ficando velha. Não, tenho certeza. Estou. Estou começando a ficar abusada desse clima esfuziante. A propósito, isso vem crescendo ano a ano – o clima esfuziante e o abuso. Gosto muito de festa, mas gosto mais de saber que 80% da população encontra-se em casa no exato momento em que estou na rua.

Mas no Carnaval esse 80% está na rua! E parte dos 20% ou está trabalhando ou entrevado, ou operado ou morto (ou de ressaca, que é quase a mesma coisa!). No Carnaval, você não encontra um estacionamento decente, um banheiro decente, uma comida decente, um ônibus decente, uma paquera decente e por aí vai. Sem contar com a quantidade de malas para cada folião.

Por conta disso tudo, uma amiga minha contou que no Carnaval do ano passado o marido dela cruzou os braços e fechou a cara de uma forma chocante que contagiou todos à volta. Uma espécie de “Vassourinhas” ao contrário. Tocada de trás pra frente. O homem era a imagem da tristeza, da melancolia, da agonia – assim como a deprimente marchinha de Moacir Franco, “A nossa vida é um Carnaval, a gente brinca escondendo a dor...”.

Olinda eu não encaro mais. Não tenho mais saúde. Começo a desconfiar seriamente de que Carnaval é festa para jovem e solteiro - isso bate diretamente na minha velhice. Carnaval é festa autoritária, onde, primeiro, você tem que estar nela. E não somente isto, tem que estar explodindo de alegria em cada gesto. Você é obrigado a ser feliz ou, pelo menos, aparentar uma felicidade nunca antes concebida por você mesmo num outro Carnaval!

E não adianta ir a um retiro espiritual, ir a uma praia distante, ficar em casa assistindo filme agarradinho com o “querido”, ou simplesmente transando, porque você mesmo se achará um infeliz, desconfiando de sua própria energia para a vida e de sua capacidade para ser extraordinariamente folião por quatro dias ininterruptos.

Bem, em fevereiro, os grandes acontecimentos festivos serão, o Reinado de Momo e o Casamento de Ronaldinho com aquela mulher indubitavelmente gostosa, que eu sinceramente ainda não decidi se devo achá-la feia ou bonita de cara. Como não vou ser convidada para a festa do Fatnômeno e da Fenomenal, onde o super-star DJ Fatboy Slim vai tocar, devo acabar me entregando ao chamado das ruas e de seus 80% de anônimos. E experimentar, mais uma vez, a fórmula da felicidade súbita, plena e fugaz.

10.1.05

CERTAS HERESIAS UM DIA SERÃO COMETIDAS

Há um ditado que diz, “notícia ruim nunca vem sozinha”, e outro que reforça, “desgraça pouca é bobagem”. Isso também se aplica às farras. Tem final de semana em que não acontece nada. Você se sente um infeliz, um miserável largado no mundo. Esta é a imagem do fim de semana “não”. Mas, felizmente, há o fim de semana “sim”. Foi o caso deste último, quando, entre outras coisas, tive a oportunidade de assistir ao show do Del Rey. Já algum tempo ouvi falar da banda, banda paralela do Mombojó (vejam só, o Mombojó nasceu ontem e já tem banda paralela!). Encabeçada por China, o grupo toca apenas Roberto Carlos. Eu, sinceramente, tava com um pé muito atrás. Achava que era apenas uma “caronagem” muito da fuinha (Até porque, convenhamos, tocar o “Rey” é o dinheiro mais fácil do mundo. Há sempre platéia, seja ela careta ou descolada. A idéia herege, convenhamos mais uma vez, também não é muito original, e todo mundo já deve ter tido algum dia. A diferença é que a maioria, incluindo o meu amigo guitarrista da Badminton, não a pôs em prática). Ao contrário do que o meu “desconfiômetro” alertava, o show do Del Rey é “curtível, dançável, cantável e aplaudável”. No final tudo funciona, inclusive China, que, incessantemente, sacode o esqueleto, como se estivesse levando uma descarga elétrica a cada dois minutos. O repertório é o mais sessentista possível, com abordagem sessentista, incluindo o teclado chorado da época, tocado por um cara que parece um Simpson. Mas o que levanta mesmo é o peso (duas guitarras, tocadas pelos sósias de Kleber Criança e Thiago Marinho). Eu, sentada no batente, balançando as pernas, dividia minha atenção entre um bebo safado que estava ao meu lado, e o palco e a platéia, recheada de tipos e cenas. Um delas transitou entre o sublime e o medonho. Colírio Ferreira e Xico Sá, o jornalista-evento, deram um grito uníssono quando China começou a cantar “Detalhes” (!!!). Os dois agarraram-se efusivamente. Abraçados, deram pulos, saltos soltos, em círculos. Isso a música inteira. No grande momento, ergueram as mãos para o céu, gritaram em êxtase: “Mas eu estou aqui vivendo esse momento lindo!”. E China descansava o fiel sotaque arrastado, passando o microfone de boca em boca até parar na boca mais suja da cidade, a do homem-lagartixa, Caralho Assis. Caso uma tsunami (ou um “suriname”) injustamente despontasse pelo litoral, naquele exato instante, e conseguisse subir até a parte alta de Olinda, matando todos os presentes, no outro dia, estaria seriamente comprometida boa parte da massa de cineastas, jornalistas, produtores culturais, aspirantes a jornalistas, artistas, loucos, cachaceiros, maconheiros e vagabundos em geral das duas cidades irmãs. Que morreriam juntos, felizes e bêbados, em plena catarse promovida por... China, que esteve impecável, a não ser pelo pecado de não presentear o gargarejo com rosas vermelhas beijadas. Ou para ser bem olindense, com papoulas.

6.1.05


Ben na Foto: São Jorge sabia conquistar fama, dinheiro e mulheres com suas canções. Este é um flagrante da época em que ele não precisava usar aquele odioso óculos escuros redondo para esconder as rugas. Posted by Hello
ARMAS DE CONQUISTA
Dia desses, voltei a ouvir a obra-prima “A Tábua de Esmeraldas”, o disco de 1974 que redefiniu o samba, o violão e o estilo que Jorge Ben Jor criara, uma década antes, sem precedentes (e sem herdeiros à altura). Uma de suas grandes faixas é a cativante “A minha teimosia é uma arma pra te conquistar”. Ao ouvi-la novamente lembrei de um bom rapaz que, certa vez, conquistara o meu lindo coração ao dizer, apertando o play, “Essa música é para você”. Fiquei branca, furta-cor, ao escutar o refrão: “...Eu vou vencer pelo cansaço até você gostar de mim, mulher”. Simples, direto e irresistível. Como cada inesquecível início de romance pode ser. Além de “astúcias” e “artimanhas” como esta, e de muita teimosia, os “conquistadores” não podem esquecer o “feeling para a coisa”, a sensibilidade para perceber a hora exata do gesto e da palavra, do “play”, do ataque, enfim. Caso contrário, podem sofrer morte súbita com suas próprias armas - muitas vezes, um canivete de lojinha chinesa disfarçado de AK-47 ou AR-15.